Sexta-feira, Março 31, 2006

"O maior espetáculo da terra!"

Rolling Stones - Rock' n' Roll Circus

01- Song For Jeffrey - Jethro Tull
02- A Quick One While He´s Away - The Who
03- Ain´t That a Lot of Love - Taj Mahal
04- Something Better - Marianne Faithful
05- Yer Blues - The Dirty Mac
06- Whole Lotta Yoko - Yoko Ono, Ivry Gitlis, The Dirty Mac
07- Jumping Jack Flash - The Rolling Stones
08- Parachute Woman - The Rolling Stones
09- No Expectations - The Rolling Stones
10- You Always Get What You Want - The Rolling Stones
11- Sympathy For The Devil - The Rolling Stones
12- Salt Of the Earth - The Rolling Stones


Em 1968, os Rolling Stones decidiram fazer um especial de televisão para divulgar seu disco Beggar's Banquet, juntando outras bandas e músicos num picadeiro de circo. The Rolling Stones Rock and Roll Circus tornou-se um filme histórico por diversos motivos. Foi a última apresentação ao vivo da banda com Brian Jones; é o único vídeo do Jethro Tull com Tony Iommi (Black Sabbath) na formação; tem a única apresentação gravada que o The Who fez de sua primeira opereta A Quick One While He's Away; e a única apresentação de um supergrupo formado por Eric Clapton, John Lennon, Mitch Mitchell e Keith Richards. Como a apresentação dos Stones foi a última a ser gravada no dia, após supervisionarem tudo que acontecia, eles estavam cansados e não fizeram uma boa performance, ficando aquém dos convidados. Essa foi a razão principal do especial ter sido vetado, além de alguns problemas contratuais com os artistas envolvidos. Só foi lançado oficialmente em 1996. A direção é de Michael Lindsay-Hogg, que havia feito dois clipes da banda e depois dirigiria Let It Be, dos Beatles.

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Tequila e rock 'n' roll

Santana - All That I Am
1. Hermes
2. El Fuego
3. I'm Feeling You - (with Michelle Branch/The Wreckers)
4. My Man - (with Mary J. Blige/Big Boi)
5. Just Feel Better - (with Steven Tyler)
6. I Am Somebody - (with Will.i.am)
7. Con Santana
8. Twisted - (with Anthony Hamilton)
9. Trinity - (with Kirk Hammett/Robert Randolph)
10. Cry Baby Cry - (with Sean Paul/Joss Stone)
11. Brown Skin Girl - (with Bo Bice)
12. I Don't Wanna Lose Your Love - (with Los Lonely Boys)
13. Da Tu Amor


Nascia em 20 de julho de 1947, na cidade de Autlan de Navarro, no México, Carlos Santana, um dos mais talentosos e criativos guitarristas das últimas décadas. Desde o início da carreira, aos treze anos de idade, como a banda The Strangers, Santana já buscava unir sua influência de ritmos latinos com os acordes do blues e do rock. No início da década de sessenta, ele deixa o México e segue com a família para São Francisco (E.U.A).
Em 1966, nas folgas do trabalho como lavador de pratos, Santana ensaia com a sua banda, a Blues Band. Poucos dias antes de completar vinte anos, o guitarrista faz sua estréia nos palcos, se apresentando com a Blues Band, que posteriormente se chamaria apenas Santana, no consagrado Filmore West e, no mesmo ano, também faz sua estréia em estúdio, como guitarrista convidado do The Live Adventures of Mike Bloomfield and Al Kooper. Mas é no ano de 1969 que Santana alcança seu maior sucesso até então: apresenta-se no festival de Woodstock e grava seu primeiro disco “Santana”, um enorme sucesso que permaneceu nas paradas por mais de dois anos e vendeu aproximadamente 4 milhões de cópias.
No ano seguinte faz sua primeira apresentação no Montreux Jazz Festival e lança “Abraxas”, que conquista disco de ouro. Na seqüência, vem o disco “Santana III”, que marca o fim da formação original da banda e passagem dos direitos do nome apenas para o guitarrista Carlos Santana.
Em 1972, para deleite dos fãs, dois álbuns são lançados: “Fillmore The Last Days’’ gravado no último show da casa Fillmore West e “Live - Carlos Santana and Buddy Miles”. No mesmo ano conhece duas importantes figuras em sua vida: a futura esposa, Deborah e o Guru Sri Chinmoy, de quem seria seguidor por nove anos. Em 1973, divide o palco com os Rolling Stones em um show beneficente pelas vítimas de um terremoto na Nicarágua
Santana segue para sua primeira turnê mundial. No Japão grava e lança com exclusividade, “Lótus” e de volta aos Estados Unidos, entra em estúdio para gravar “Love, Devotion and Surrender with John McLaughlin” e “Welcome”. Mais um álbum em parceria, agora é “Illuminations-Carlos Santana and Turiya Alice Coltrane”. A criatividade de Santana não tem limite, e em 74 lança mais um disco, “Borboletta”.
Com tantos sucessos, não poderia faltar na história do guitarrista uma coletânea: “Greatest Hits”, que também ganha disco de ouro. Ganha o prêmio de melhor guitarrista pelo Bay Area Music Awards e em 1976, coloca no mercado mais dois trabalhos: “Amigos” e “Festival”. Em abril do ano seguinte, faz um show com Joan Baez na prisão de Soledad e no mesmo período lança, “Moonflower”. Santana se apresenta no programa humorístico Saturday Night Live e em outubro de 79 vem com o álbum, “Inner Secrets”.
Durante a década de oitenta, a banda Santana comemora 20 anos de carreira, o guitarrista ganha diversos prêmios tanto pelo seu trabalho como músico como pelas ações em prol da sociedade, sai em turnê pela Europa com Bob Dylan, lança cinco álbuns, além de três trabalhos solos do guitarrista, que garante o seu primeiro prêmio Grammy. Em 1991, os fãs brasileiros vibram com a apresentação da banda no Rock in Rio II. No ano seguinte é lançado o 16° trabalho da banda, “Milagro”. O disco não vai bem nas paradas de sucesso, assim como os próximos trabalhos.
A grande reviravolta na carreira de Santana aconteceu com o lançamento em 1999, de “Supernatural”. O álbum é um sucesso estrondoso: vende mais de 10 milhões de cópias e ganha nove prêmios Grammy e três prêmios Grammy Latino. O trabalho conta com as participações de Eagle-Eye Cherry, Wyclef Jean, Eric Clapton, Lauryn Hill, Rob Thomas da banda Matchbox 20, Everlast e Dave Matthews. Canções como "Smooth" e “Maria, Maria”, entre outras, são as mais pedidas nas rádios do mundo todo.
Em 2002 é lançado “Shaman”, trabalho que carrega o peso de superar o sucesso anterior, mas não consegue. O disco ganha o prêmio Grammy pela música “The Game of Love”, com a participação de Michelle Branch. Sai em turnê para promover o disco mas no mesmo ano lança o disco duplo, “The Essential Santana”.

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"Clapton Is God"

Eric Clapton - Me and Mr. Johnson
1. When You Got A Good Friend
2. Little Queen Of Spades
3. They´re Red Hot
4. Me And The Devil Blues
5. Traveling Riverside Blues
6. Last Fair Deal Gone Down
7. Stop Breakin´ Down Blues
8. Milkcow´s Calf Blues
9. Kind Hearted Woman Blues
10. Come On In My Kitchen
11. If I Had Possession Over Judgement Day
12. Love In Vain
13. 32-20 Blues
14. Hell Hound On My Tail


Eric Clapton nasceu em Ripley, Inglaterra, em 30 de março de 1945. A paixão pelo R&B de artistas como Robert Johnson e Muddy Watters o levou a desde cedo aprender a tocar guitarra e participar de todas as bandas que pudesse.
Expulso da escola de artes por rebeldia, aprendeu a tocar em pubs e pequenos shows. Se juntou aos Yardbirds, banda inglesa de grande influência que teve o mérito de reunir três dos maiores guitarristas de todos os tempos em sua formação: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page (que mais tarde formaria o Led Zeppelin).
Abandonou os Yardbirds em 1966 e após duas passagens pelos Bluesbreakers, da qual saiu por não suportar a rigidez de J. Mayall, formou, juntamente com o baterista Ginger Baker e o baixista Jack Bruce, a banda Cream, que gravou três álbuns e se desfez por diferenças musicais após menos de dois anos de carreira muito produtiva.
Com o fim do Cream Clapton se tornou músico de estúdio, gravando um disco solo e tendo uma rápida passagem pela banda Blind Faith com quem gravou um único disco. Entre outras participações especiais gravou com os Beatles o solo de guitarra da música While My Guitar Gently Weeps. A sua ligação com os Beatles porém infelizmente não se resumiu a sua participação em algumas músicas; durante anos manteve um relacionamento mais do que amigável com Patty Boyd, esposa de George Harrison, num triângulo amoroso que durou anos, a início às escondidas e depois abertamente, o que incrivelmente não abalou a amizade entre os guitarristas.
Juntamente com dissidentes da banda Delanie and Bonnie and Friends (que abria shows para o Blind Faith), Clapton montou a banda Derek and The Dominos, com quem lançou um de seus maiores sucessos, a música "Layla", abertamente dedicada à esposa de George Harrison. Participava também da banda Duane Allman (do Allman Brothers)
"Layla and other assorted songs" foi um fracasso de vendas, e por isso a gravadora imprimiu nos discos a frase "Derek is Eric", afim de alavancar as vendas. Não só a música "Layla" como todo o resto do album é dedicado à Patty Boyd, inclusive uma inspiradíssima "Have you ever loved a Woman", onde ele canta "Have you ever loved a Woman so much you drown in pain, 'cus everytime you know she belongs to your very best friend"
No início da década de 70 os problemas pessoais e conflitos emocionais levaram Clapton a uma difícil fase de vício em heroína, e um consequente ostracismo durante alguns anos. A volta ocorreu em 1974 com a inesperada "I Shot The Sheriff", um reggae. Clapton foi o responsável pelo lançamento para as paradas mundiais de Bob Marley. A boa fase musical rendeu também o clássico "Cocaine" em 1978. Durante a década de 80 a aceitação por parte do público foi crescente.
Em 1990 Clapton ganhou seu primeiro Grammy com a música Bad Love. Sua fama aumentava ainda como compositor de excelentes trilhas sonoras para filmes (entre outras, "Rush").
Em 1992 ironicamente alcançou o maior sucesso de sua carreira com a música "Tears In Heaven", dedicada ao filho morto aos quatro anos ao cair da janela do apartamento da namorada de Clapton. O disco acústico contendo a música e regravações de outros clássicos foi um sucesso absoluto e ganhou dezenas de prêmios, inclusive seis Grammys. O disco Unplugged marcou ainda uma volta de Clapton às suas raízes de blues, confirmada com o álbum "From The Craddle", apenas de canções tradicionais, um tributo aos clássicos que influenciaram o seu estilo.
Eric Clapton é considerado um dos mais perfeitos guitarristas da história, tocando com extrema técnica e sentimento, além de um estilo inconfundível. No auge da adoração de seus fãs na década de 70 uma pichação em um muro de Londres resumia o fascínio que sua música exercia: "Clapton Is God".
Seu último trabalho foi o "Me And Mr. Johnson", onde reinterpreta clássicos do bluesman Robert Johnson.

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Elvis, o rei do rock ‘n’ roll.

Elvis Presley - Closing Night
01. Also Sprach Zarathustra
02. See See Rider
03. I Got A Woman/amen
04. Love Me
05. Steamroller Blues
06. You Gave Me A Mountain
07. Trouble
08. Long Tall Sally / Whole Lotta Shakin' Goin' On /
Your Mamma Don't Dance/ Flip

09. Love Me Tender
10. Fever
11. What Now My Love
12. Suspicious Minds/bridge Over Troubled Water
13. Bridge Over Troubled Water
14. Suspicious Minds
15. Introductions
16. My Boy
17. I Can't Stop Loving You
18. American Trilogy
19. Big Hunk O' Love
20. First Time Ever I Saw Your Face
21. Mystery Train/tiger Man
22. How Great Thou Art
23. Help Me Make It Through The Night
24. Softly As I Leaveyou
25. Can't Help Falling In Love

Embora sem o nome de rock ‘n’ roll ainda, o rhythm & blues foi uma música que surgia nos anos quarenta, embora suas raízes sejam mais antigas do que o mercado escravo que trouxera os primeiros imigrantes forçados da África para as Américas. Foi, porém, nos anos cinqüenta que essa música passou a atrair cada vez mais atenção de jovens brancos. E este interesse, e todos os tumultos e convulsões sociais que seriam provocados é o que reconhecemos como a história do rock ‘n’ roll. E no topo desta montanha, um nome é repetido por todos os demais que começaram embalados por ele. Este nome é Elvis Presley.
Sem Elvis Presley não haveria Beatles e sem Beatles todo o rock inglês seria diferente e provavelmente restrito à Inglaterra. Sem Elvis não haveria Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly ou Gene Vincent. Sem Elvis, o rock provavelmente teria sido apenas uma música americana. Porquê? Porque até o surgimento de Elvis, todo mau comportamento era restrito aos negros. E dentro desta lógica racista, música negra era música pagã, portanto tabu e pecado. Elvis, ao rebolar e se portar instigantemente sexual, atropelou o grande tabu anglo-saxão protestante (sexo). Ao fazer sucesso com isso permitiu o apoio comercial que foi decisivo na evolução do estilo musical, e no processo deu passe livre para mais de uma geração artística seguir o mesmo caminho.
É impossível negar que grande parte do material produzido por Elvis Presley depois da década de cinqüenta, é em termos de rock ‘n’ roll, de qualidade duvidosa, senão medíocre. No entanto, sua carreira foi importante demais para seus trabalhos menos inspirados terem alguma relevância. Considere os seguintes fatos:
Nenhum outro artista tem um número maior de canções a entrar nas 100 Mais nas Paradas de Sucesso dos Estados Unidos. São 149 hits dos quais 114 ficaram entre os 40 Mais, 40 ficaram entre os 10 Mais e 18 chegando a No.1. Estes 18 conferem a Elvis o gabarito de ser o artista de segundo maior número de hits a chegar a No.1, perdendo apenas para os Beatles com 21. Elvis empata com The Supremes com 10 hits consecutivos a chegar a No.1; recebeu o maior número de Discos de Ouro, 81 contra 42 de Barbara Streisand e 41 dos Beatles; e Discos de Platina, 43 contra 26 dos Beatles. Elvis tem o segundo maior número de discos Multi-Platinados, 19, perdendo para os Beatles com 24 e seguido de longe por Led Zeppelin com 13.
Todas essas estatísticas são referentes ao mercado americano, segundo a Billboard, e são todos números realmente impressionantes se tratando mesmo daquele mercado tão vasto. Mas se forem englobadas vendas ao redor do mundo, as cifras são estimadas na casa dos bilhões de discos vendidos.
Foi em Tupello, Mississipi, no dia 8 de janeiro de 1935, que Vernon Elvis Presley e Gladys Love Smith Presley viram pela primeira vez seus filhos gêmeos, Jessie Garon Presley e Elvis Aaron Presley. Em um parto caseiro, a alegria foi tingida por tristeza ao verificarem que Jessie deixara o ventre de sua mãe já morto.
O menino Elvis Aaron Presley cresceu em uma casa bem humilde de dois cômodos construída pelo pai e seu irmão. Por treze anos ele cresceu junto aos tios, primos e avós, todos morando relativamente perto um do outro. Familia temente a Deus, Elvis é fortemente influenciado pela conduta da igreja, a Assembléia de Deus, mesma de seus pais. Os cânticos da igreja, assim como a música negra das ruas que ele ouvia, serão absorvidos pelo menino.
Tanto que aos dez anos de idade, em uma das muitas feiras que eram realizadas anualmente na região, a ‘Mississippi-Alabama Fair and Dairy Show’, Elvis Presley tira segundo lugar em um concurso de talentos ao cantar “Old Shep” de pé em um banco para poder alcançar o microfone. As apresentações daquele concurso foram transmitidas ao vivo pela estação WELO Radio e portanto, este pode ser considerado o ‘debut’ de Elvis no rádio. Seu premio foi de $5 dólares e voltas gratuitas em todos os brinquedos da feira.
No ano seguinte, Elvis quer uma bicleta mas sua familia não tem meios de pagar por uma. Então sua mãe lhe convence a aceitar um violão no lugar. O instrumento custou $12.50. Aos treze anos de idade, Elvis se despede de sua escola, a Miliam Junior High School em Tupello com uma apresentação para a classe tocando o violão e cantando a canção “Leaf On A Tree.” Sua família se muda para Memphis, Tennessee, em busca de melhores oportunidades e condições de vida. Outros parentes da familia Presley e da familia Smith seguirão essa jornada. Elvis estuda só até terminar o Segundo Grau no L. C. Humes High School, onde se forma em 1953.
Vivendo em Memphis, ele cresceu em contato direto com os músicos de rua negros na hoje decantada Beale Street, local onde surgiram nomes como Bobby Bland, Johnny Ace e BB King. Além do country que tocava nas rádios ele passa a frequentar as festas para brancos e pretos que acontecem na cidade. Lá Elvis entra em maior contato com gospel e a música negra em geral. Destas influências para a sua futura e inesperada carreira, destaca-se necessariamente Wynonie Harris, o homem que gravou a versão original de “Good Rockin’ Tonight”. Quando Elvis passou a rebolar o seu pelvis de forma tão instigante, ele nada mais fazia do que imitar o negro Wynonie Harris, que vira tantas vezes ao vivo.
Trabalhando desde a adolescência para ajudar os pais no orçamento caseiro, Elvis logo se mostrou diferente da maioria dos outros meninos. Gostava de deixar o cabelo crescer mais comprido do que o costume para os padrões da sua época. Ele fazia um topete e usava suas costeletas largas e compridas.
Diferente do que se costuma contar, Elvis não era um caminhoeiro quando em junho, ele resolveu parar na Memphis Recording Service para ver como sua voz soava em um disco. Ele trabalhava para Parker Machinists Shop, seu primeiro emprego depois de deixar a escola. Na M.R.S. ele gravou duas canções, "My Happiness" e "That’s When Your Heartaches Begin." A empreitada lhe custou $4 dólares e Elvis presenteou o resultado a sua mãe que apesar de aniversariar em abril, recebeu o acetato como sendo um segundo presente de aniversário.
The Memphis Recording Service produzia discos para o selo Sun e era extra oficialmente chamado de Sun Studios, um nome que só ganharia oficialmente muitos anos depois. Quem cuida desta histórica sessão é Marion Keisker, assistente do dono Sam Phillips que não está presente nesta ocasião, viajando promovendo outro artista. Marion vê neste rapaz, tanto em aparência quanto em voz, um talento que poderia interessar seu patrão. Sam Phillips era um homem que há anos gravava artistas negros, responsável por inúmeros discos clássicos de blues e rhythm & blues. Phillips dissera em certa ocasião que se encontrasse um rapaz branco que pudesse soar como um negro, ele ficaria rico.
Em setembro Elvis mudaria de emprego, trabalhando por algumas semanas para The Precision Tool Company e depois como motorista de um caminhão de entregas da Crown Electric Company. Foi então em janeiro de 1954 que Elvis estacionava o seu caminhão na frente da Memphis Recording Service com intuito de gravar outro acetato. Desta vez, Sam Phillips está presente. Segundo algumas versões, seria somente no verão (junho) de 1954 que Marion sugere a Sam a hipótese de que aquele rapaz poderia ser o menino de voz negra de seus sonhos. Phillips acaba convidando Elvis para uma sessão de teste e lhe dá a canção "Without You" para cantar. O resultado não lhe satisfaz, contudo uma das razões que faz Sam Phillips ser um ótimo produtor é sua habilidade de fazer o artista se sentir à vontade no estúdio. Sam então lhe pede para tocar e cantar o que quisesse e o menino passeia por um repertório basicamente de música popular da época. Nada desta sessão foi aproveitado, porém deixou Sam Phillips ainda interessado.
Foi no dia 3 de julho de 1954 a histórica sessão que deu início em sua carreira. Phillips chamou dois músicos de estúdio que já trabalharam com Sam em outras tantas ocasiões. São eles Scotty Moore na guitarra e Bill Black no baixo. Novamente a sessão estava rendendo poucos resultados e durante uma parada para descanso, Elvis passou a cantar sem pretensões “That’s Alright Mama.” Conta a lenda que Sam Phillips pulava de alegria enquanto gritava “É isso, é isso que eu quero!” “That’s Alright Mama” e “Blue Moon of Kentuckey” se torna o primeiro compacto de Elvis Presley pela Sun Records e vendeu razoavelmente bem.
O disco passou a ser tocado em estações de rádios de música negra, onde os ouvintes eram basicamente negros. Portanto, é natural supor que os primeiros compradores deste compacto fossem negros pensando ironicamente se tratar de um artista negro. Porém, bastou Elvis começar a falar, em uma entrevista feita em uma dessas visitas promocionais a estação de rádio, para logo se perceber que se trata de um rapaz branco.
Elvis, Scotty e Bill formam uma banda, The Hillbilly Cat And The Blue Moon Boys, fazendo apresentações variadas em pequenos bares e clubes da cidade e da região. Em outubro daquele ano, após uma apresentação na estação de radio KWKH Radio na cidade de Shreveport, no estádo de Louisiana, conseguem um contrato de um ano para cinqüenta e duas aparições todos os sábados à noite na cidade de Hayride. Este é até o momento, sua maior oportunidade como artista, porém com sua popularidade crescendo, o contrato acaba impedindo ele e a banda de viajar muito longe. É em Hayride que Elvis Presley conhece o Coronel Tom Parker.
Tom Parker é um ‘promoter’ e um empresário de artistas de sucesso como Hank Snow e Eddy Arnold, ambos estrelas de country music. O fato de Parker se interessar por Presley é uma razão de grande status para este jovem rapaz. Mas Elvis acaba assinando um contrato com o empresário Bob Neal em janeiro de 1955. Neal coloca Elvis e sua banda em uma excursão junto com artistas de Tom Parker, e organizado por ele. Para esta excursão, o baterista D.J. Fontana é adicionado ao grupo. Observando a reação do público feminino para Elvis, que rebola e incendeia o público, a ponto de sair brigas entre a multidão, Parker cada vez mais se interessa pelo rapaz.
Em agosto de 1955, Elvis assina um contrato com a Hank Snow Attractions que passa a empresariá-lo, com Bob Neal permanecendo apenas como um conselheiro. A Hank Snow Attractions pertence igualmente a Hank Snow e Tom Parker. Em menos de dois meses, Hank Snow está sem nenhuma participação no contrato com Elvis que pertence agora exclusivamente ao Coronel Parker. Uma das suas primeiras providências foi de negociar um contrato com um selo de maior porte do que o pequeno Sun Records.
Habilmente colocando as gravadoras Mercury, Atlantic, Decca e Columbia uma contra as outras, em um leilão pelo contrato de Elvis Presley, Parker acaba acertando com a RCA. Neste acordo, a RCA compra todo o catálogo de Elvis na Sun Records, o que inclui os cinco compactos mais o material que ainda não fora lançado. O valor desta operação rendeu ao Sam Phillips o valor extraordinario de $40.000 dólares, além de $5.000 como uma porcentagem para o bolso de Elvis. Como Elvis sequer tem vinte e um anos ainda, o contrato tem que ser assinado pelo seu pai, Vernon Presley.
Enquanto RCA relança o material recém-comprado da Sun, agora saindo nacionalmente pelo selo RCA, Parker acerta para Elvis um contrato com a Hill and Range Publishing Company. Segundo este acordo, é criada a Elvis Presley Music Inc., na qual Elvis recebe uma porcentagem dos direitos autorais de todas as canções que Hill e Range lhe trouxerem para gravar. Em outras palavras, mesmo não sendo compositor de nenhuma das canções que canta, Elvis recebe uma porcentagem dos direitos autorais que caberia a Hill and Range Publishing.
Aos vinte e um anos, Elvis Presley tem um dos melhores contratos no país com uma gravadora e com uma editora, um feito extraordinário graças a boa negociação do Coronel Tom Parker. Ele grava então no dia 10 de janeiro de 1956 seu primeiro compacto para o seu novo selo, “Heartbreak Hotel.” A RCA colocou o grupo The Jordanaires como sua nova banda. O compacto vendeu 300.000 cópias em três semanas, um marco que comprovou rapidamente que o investimento da RCA em Elvis Presley foi lucrativo.
Em 28 de janeiro de 1956, Elvis estréia em cadeia nacional, aparecendo no programa “Stage Show”, da CBS, produzido pelo ator e comediante Jackie Gleason e estrelando Tommy e Jimmy Dorsey. Até março, ele terá feito seis participações no programa e criado uma pequena sensação ao redor do país em torno de seu nome. A esta altura “Heartbreak Hotel” já vendera um milhão de cópias e se tornara o primeiro Disco de Ouro desta nova sensação. RCA lança então "I Forgot to Remember to Forget" que igualmente chega a No. 1 nas paradas de sucesso country. Seu primeiro álbum: Elvis Presley, igualmente chega a um milhão de discos vendidos se tornando igualmente um Disco de Ouro.
Em abril de 1956, Elvis faz um teste para Paramount Studios em Hollywood, para o filme The Rainmaker onde ele faz mímica ao som de "Blue Suede Shoes" em playback. Apesar de acabar sendo rejeitado para este filme, Paramount fecha um contrato de sete anos com ele para estrear em uma série de películas, acreditando no poder de atração do jovem revelação.
Suas apresentações causam cada vez mais histeria entre o público feminino, graças aos seus rebolados e atitudes sexuais no palco. As invasões por vezes obrigam organizadores a encerrarem cedo o espetáculo com medo de alguém sair ferido. Em meio a isto, durante uma apresentação no programa de televisão The Milton Berle Show, Elvis apresenta uma versão de “Hound Dog” que acaba chocando a parte mais puritana dos Estados Unidos. Motivo de controvérsia, Elvis se torna ainda mais atraente para os jovens.
A controvérsia cria o apelido, Elvis The Pelvis, o que irritaria o artista que chamaria esse nome de a maior criancice que ele já tenha ouvido. Tentando apagar um pouco o fogo de sua instigante apresentação no mês anterior, Elvis aparece no Steve Allen Show vestido de fraque novamente cantando “Hound Dog”, desta vez de forma menos instigante e para um bassê. Idealizado por Steve Allen, Elvis considerou a jogada publicitária ridícula, mas aceitou, na esperança de acalmar certos grupos religiosos que o classificam como amoral.
No fundo, toda esta controvérsia se torna lucrativa para o cantor quando Ed Sullivan lhe oferece o valor absurdo de $50.000 dólares por três apresentações em seu programa. Sullivan que não gostava dos rebolados ofensivos deste artista, aceitou tê-lo no seu programa dado aos índices que se registravam cada vez que Elvis aparecia em algum programa. Para não ofender seu público, Sullivan instruiu sua equipe a partir do terceiro programa, de filmá-lo apenas da cintura para cima. Cartas inundaram o escritório no dia seguinte de jovens reclamando que queriam assistir o ‘verdadeiro’ Elvis em seu programa.
Em agosto de 1956 ele começaria as filmagens para o seu primeiro filme, “The Reno Brothers.” O filme é da Twentieth Century Fox que aluga o seu contrato com a Paramount. Durante a filmagem, houve um acordo e foi adicionada uma cena onde Elvis cantaria seu próximo lançamento, “Love Me Tender.” Com clara intenção de capitalizar no que julgam corretamente ser um hit certo, o filme passa a se chamar “Love Me Tender.”
Elvis retorna a Tupelo onde nascera para o que passa a ser chamado Elvis Presley Day, no dia 26 de setembro de 1956. Lá ele faz duas apresentações durante o Mississippi-Alabama Fair and Dairy Show, o mesmo que disputara o concurso de talentos ainda com dez anos de idade. Elvis se tornara grande sensação em todo o país e ao final daquele ano, estatísticas comprovam que Elvis Presley havia vendido cerca de $22 milhões de dólares em produtos variados que levavam o seu nome. Não só discos, como tambem camisetas, chapéus, carteiras, bolsas, batom, perfume, cintos, roupas, revistas, cachorrinhos de pelúcia, canecas, pratos, canetas e mais.
Entre apresentações pelo país e aparições na televisão, Elvis se tornara a maior sensação jovem do mercado. Seu estilo particular misturando country e pop branco com rhythm & blues e gospel dos negros, aleados ao seu carisma pessoal e talento natural lhe transformam em símbolo do jovem americano moderno. Entre 1956 e 57, como uma figura nacional, Elvis Presley já terá feito o suficiente para ser considerado um icone cultural de sua geração. A música, assim como os costumes nunca mais serão os mesmos e embora essas mudanças não tenham sido violentas como as iniciadas pelos Beatles na década de sessenta, são radicais o suficiente para atrair jovens para música negra, o que acabaria sendo o principal fator para a criação de bandas como os Beatles, para início de conversa.
O ano de 1957 começa com as filmagens de seu segundo filme em janeiro e seu terceiro filme em maio. Elvis se apresenta três vezes no Canadá, suas únicas apresentações fora dos Estados Unidos, e compra Graceland em Memphis para ele, seus pais e sua avó morarem. Faz a primeira doação para o Elvis Presley Youth Recreation Center, um Centro de Recreação para Jovens em Tupelo, Mississippi. O terreno do Centro inclui a casa onde Elvis havia nascido. Elvis fará substanciais doações para este centro pelo resto de sua vida, doações que continuarão até o presente, mantidas pelo Elvis Presley Estate. A casa onde Elvis nasceu é hoje um museu para visitações do publico, mantido pelo Centro.
Em outubro de 1957 estréia “Jailhouse Rock”, seu terceiro filme rodado em maio. Além do sucesso da canção, o filme é facilmente seu melhor trabalho como ator, perdendo apenas para “King Creole” rodado no ano seguinte antes de Elvis servir o Exército. Clássico do cinema rock ‘n’ roll, a cena dançante onde se canta a canção título é para muitos, o padrão copiado para muitas cenas musicais posteriores no meio rock. Será também, segundo alguns, o molde para o que passaria a ser chamado filmes promocionais de rock na década de sessenta, e que mais tarde ganharia o nome de vídeos musicais nos anos oitenta.
Elvis e familia se mudam para Graceland em dezembro e antes do Natal, Elvis é chamado para servir o Exército. Entre janeiro e março de 1958, Elvis filma “King Creole” e se apresenta ao vivo pela ultima vez antes de servir. Serve inicialmente em Fort Hood no Texas onde recebe treinamento básico por seis meses. Neste ínterim, sua mãe Gladys fica doente com hepatite e morre em 14 de agosto de 1958, aos 46 anos.
Depois de chorar a perda da mãe e retornar para seu posto em Fort Hood, Elvis é transferido para Friedberg na Alemanha onde permanecerá por 18 meses. Chega a conhecer Munich e até Paris durante algumas folgas. Durante seu periodo na Alemanha, Elvis conhece a enteada do Coronel Joseph Beaulieu, a menina Priscilla Ann Wagner, então com apenas 14 anos. Seu pai era James Wagner, um piloto da marinha que morreu em um acidente de avião, e sua mãe Ann casaria, pela segunda vez, com o Coronel Joseph. Voltariam a se ver mais vezes nos Estados Unidos.
Enquanto isto, Coronel Parker garante que a carreira de Elvis continue em evidência autorizando uma serie de coletâneas lançadas pela RCA. Elvis deixaria o Exército em março de 1960 com a patente de sargento. Ele chega aos Estados Unidos e imediatamente é obrigado a dar longas entrevistas. Frank Sinatra coloca sua filha Nancy Sinatra para recebê-lo e lhe dar as boas-vindas em nome da juventude americana, uma jogada promocional que teve boa repercussão na epoca. No mês seguinte, ele volta aos estúdios e depois começa a rodar o seu quinto filme, “GI Blues.”
Elvis ainda faz duas apresentações ao vivo antes de dedicar sua carreira exclusivamente para filmes. Elvis quer realmente ser um bom ator e leva sua carreira de cinema a sério. No entanto, os roteiros de filmes aceitos pelo Coronel Parker e dados ao Elvis são sempre de produções simplórias visando claramente explorar a sua figura popular sem nenhuma consideração real para dramatização ou expectativas para Oscars.
Mantendo Elvis ocupado com filmes simples, às vezes três em um ano, acoplado de discos em torno da trilha-sonora e discos natalinos, o Coronel garantiu uma mina de ouro anual sem maiores esforços para ele ou o seu artista. Neste ponto, o trabalho de Tom Parker foi lúcido e benéfico. No entanto, artisticamente, Elvis havia morrido como uma figura representativa para o jovem. E isto ficou ainda mais óbvio após a chegada à América do fenômeno Beatles e toda a invasão Britanica que se seguiu.
A década de sessenta na carreira de Elvis Presley é marcado pela super-exploração do mito, forçado a gravar cada vez mais músicas, nem sempre primando pela qualidade, ao mesmo tempo que lançava filmes e compilações de seus maiores sucessos. Todos estes discos e filmes vendem bem. A voz de Elvis Presley é soberba e sua dedicação a cada trabalho que leva o seu nome é total. Apenas não se trata mais de rock ‘n’ roll, Elvis estando claramente fora do que está acontecendo na música contemporânea. Seu material é para os pais e não mais para os filhos e filhas.
Após um namoro discreto, Elvis Presley casa com Priscilla dia 1 de maio de 1967 em Las Vegas. Entre uma rápida lua-de-mel em Palm Springs e os toques finais no filme “Clambake”, o casal se muda para Graceland onde vestidos à carater, performam outra cerimônia de casamento para amigos e parentes que não puderam estar presente ao verdadeiro. Dia 1 de fevereiro de 1968 nasce Lisa Marie Presley, filha única do casal. Coincidência ou não, são nove meses exatos desde a data do casamento.
A exceção acontece em 1968 quando Elvis retorna para o palco depois de quase sete anos e faz uma apresentação filmada do que pode ser considerado o que há de melhor em rock/rockabilly. Trazendo de volta sua antiga banda com Scotty Moore e DJ Fontana, (Bill Black já havia falecido) mais the Jordanaires e outros músicos profissionais, abriu um espaço no set para ele mesmo tocar o violão fazendo o que hoje costuma se chamar de um set Unplugged ou Acústico. O filme, chamado simplesmente de ELVIS, foi gravado entre 27 e 30 de junho. O filme tambem pode ser encontrado pelo nome The 68 Special ou 68 Comeback.
Apesar das ótimas criticas e sucesso geral da empreitada, Elvis não seguiu o bom momento com uma excursão americana de grande porte, o que seria provavelmente a melhor manobra. No lugar, o Coronel preferiu fixar as atenções do Elvis para terminar o seu contrato cinematográfico que foi encerrado em 1969. Elvis estava mais do que frustrado com a forma com que Hollywood encarava sua carreira de ator. Uma vez terminado o contrato, Elvis só queria saber de uma coisa; tocar ao vivo novamente.
Elvis então acerta um contrato para tocar em Las Vegas, inaugurando um cassino dentro do International Hotel, em um contrato milhonário. Em apresentações com banda, orquestra (conduzido por Bobby Morris) e cantores de gospel masculino (The Imperials) e femininos (The Sweet Inspirations) fazendo backing, Elvis de roupa de palco branca inicia em julho de 1969 e continua pela maior parte da década de setenta como atração de cassino em temporadas ao vivo em Las Vegas que duravam geralmente um mês. A primeira temporada no International Hotel acaba rendendo o primeiro álbum ao vivo de Elvis, “Elvis in Person at the International Hotel.” Em setembro deste ano, Elvis consegue com a canção “Suspicious Minds” seu primeiro hit desde 1962. É tambem seu último grande sucesso na parada.
Após uma série de apresentações no Texas em 1970, especulava-se muito sobre a primeira excursão americana de Elvis desde a década de cinqüenta. O que surgiu foi uma pequena excursão em nove cidades que foi filmado e teria momentos apresentados no filme “Elvis - That’s The Way It Is”. Depois de uma pausa para gravações em Nashville, Elvis retorna a excursionar por oito cidades. Elvis retornaria para outra temporada de um mês em Las Vegas, novamente no International Hotel que depois de 1971 passaria a se chamar The Las Vegas Hilton International Hotel. Para aguentar a maratona de shows e gravações, Elvis passa a consumir avidamente medicamentos, antidepressivos, moderadores de apetite e anfetaminas.
Elvis é diagnosticado, ainda em março de 1971, com glaucoma. Lentamente durante a decada de setenta, vai surgindo a figura de um artista decadente, gordo, parado no palco, lembrado praticamente apenas pelas baladas românticas e tendo abandonado seu estilo inicial. Porém durante todos estes anos, Elvis está seguidamente recebendo troféus e placas em homenagem aos seus feitos e sua importância para a indústria fonográfica e indústria de entretenimento em geral. Suas temporadas em Las Vegas atraem mais público para a cidade e quebram seguidos recordes de audiência com shows constantemente lotados.
Depois de uma terceira excursão visitando doze cidades em final de 1971, Priscilla Presley deixa Graceland com sua filha Lisa Maria. A separação será publicamente conhecida a partir de julho de 1972, no entanto o divórcio só será assinado em outubro de 1973. Elvis e Priscilla continuarão se comunicando como amigos e Lisa Maria terá contato com o seu pai sempre que ele deseja. Elvis passa a morar com Linda Thompson em julho de 1972. Durante o ano de 1972, Elvis excursiona por praticamente todo o seu país e emplaca um hit com “Burning Love” que chega a No.2 nas paradas americanas.
Ele encerra o ano se apresentando em Honolulu onde em janeiro ele volta a se apresentar, desta vez em um show com transmissão via satélite, ao vivo, para todo o Havai, Austrália, Coréia do Sul, Vietnã do Sul, Japão, Tailândia e Filipinas. Um vídeo do show mais tarde seria apresentado em diversos países da Europa, assim como também, dentro dos demais estados dos Estados Unidos. Este, para muitos é o último grande momento de Elvis, ainda em boa forma.
Em março de 1973, Elvis e o Coronel vendem suas partes dos direitos autorais sobre todo o seu catálogo para a RCA, antes de seguir para uma outra seqüência de mini excursões pela América, agrupados em oito cidades, cada. No meio do ano, Elvis é hospitalizado com problemas na pleura, colo, hepatite e pneumonia. Sua dependência por medicamentos aumenta em proporções perigosas. Sua rotina passa a ser excursões, temporadas em Las Vegas, sessões de gravações em Nashville e passagens pelo hospital por problemas relativos a abusos com medicação.
Em novembro de 1976, infeliz com a maneira que ele anda levando sua vida, Linda Thompson deixa Elvis Presley, segundo ela porque não queria estar por perto quando ele morresse. No mesmo mês, Elvis a substitui com a jovem Ginger Alden. Elvis passa o restante do mês de novembro excursionando. O ano de 1977 inicia no mesmo ritmo de sempre, com pausa entre excursões para temporadas no hospital. Três apresentações em junho serão gravadas pela RCA e filmados pela CBS visando álbum e especial televisivo que irá ao ar apenas em outubro.
Em Graceland, véspera de retornar para a estrada com show marcado em Maine para o dia seguinte, Elvis Presley morre dia 16 de agosto em 1977 de um ataque cardíaco no banheiro de sua casa. A necrópsia revelou a ingestão de oito ou mais drogas (entre outras morfina, valium e valmid), responsáveis por sua morte. Ao redor do mundo as manchetes principais em praticamente todos os jornais de importância registravam o fato que “o Rei Morreu”.

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Quinta-feira, Março 30, 2006

Bizarre Records apresenta: Frank Zappa

Frank Zappa - Sheik Yerbouti
01. I Have Been In You
02. Flakes
03. Broken Hearts Are For Assholes
04. I’m So Cute
05. Jones Crusher
06. What Ever Happened To All The Fun In The World
07. Rat Tomago
08. Wait A Minute
09. Bobby Brown Goes Down
10. Rubber Shirt
11. Sheik Yerbouti Tango, The
12. Baby Snakes
13. Tryin’ To Grow A Chin
14. City Of Tiny Lites
15. Dancin’ Fool
16. Jewish Princess


Enquanto no âmbito do rock 'n' roll a maioria dos artistas creditam a inspiração para se tornar um músico a artistas como Elvis Presley, Chuck Berry ou Little Richard, Frank Zappa confessava que embora adorasse r&b e fizesse parte desta geração, sua curiosidade e interesse por ser compositor e músico nasceu ao ouvir o disco Ionization do compositor erudito Edgar Varese. Sempre um menino atirado, chegou a pedir aos pais, como presente de aniversário, a permissão para fazer uma ligação interurbana para Nova York para poder conversar com o mestre. Zappa era ainda um adolescente no científico quando falou com a senhora Varese, Edgar estando em viagem pela Europa. Frank Zappa acabaria nunca conhecendo pessoalmente o mestre, mas faria constantes referências a sua música durante a carreira, tornando celebre a frase "O compositor moderno se recusa a morrer." pronunciada por Varese em 1921.
Nascido Frank (e não Francis) Vincent Zappa, em Baltimore, no dia 21 de dezembro de 1940, mas crescendo e vivendo toda sua vida na California, nos arredores de Los Angeles, Frank Zappa, ainda adolescente, conhece e faz amizade com Don Vliet. Juntos formam algumas bandas como the Omens e the Soots, tocando o material r&b de costume. Tocou também em bandas multirraciais, coisa difícil e inaceitável para a época. Durante a faculdade, atuou como tocador de bumbo na banda oficial do time de futebol americano da universidade, até ser expulso por ser pego fumando com o uniforme da banda. Cigarros e café, por toda sua vida, se mostraram ser seus dois maiores vícios depois da música.
Após a faculdade, no final da década de 50, casou e investiu seus talentos em uma firma de cartões para todas as ocasiões, escrevendo seus dizeres. A frustração do seu meio de vida, acoplado ao relacionamento insosso dentro do casamento, o leva ao divorcio. Abandonando as duas frentes, conseguiu através do contato de um ex-professor, um contrato para compor a trilha sonora para um filme B. Algumas músicas desta trilha reapareceriam em discos futuros de sua carreira, como por exemplo, a canção "Duke Of Prunes." Com o dinheiro de "Run Home Slow", titulo do filme, Zappa compra uma guitarra e um pequeno estúdio de gravação à beira da falência em Cucamonga, que batiza de Studio Z. Nele Zappa passaria a morar e trabalhar exclusivamente com música. Para se sustentar tocava em diversas bandas de fim de semana, como também gravava e compunha material para diversos artistas da região, de menor ou nenhuma expressão. A sua banda mais constante, mesmo que com uma formação em constante mutação, é The Blackouts, com quem toca por quase quatro anos.
Um dia ele recebe a incumbência de fazer uma gravação "picante" com insinuações sexuais, supostamente para alegrar uma festa.Com a ajuda de uma amiga, que ele apelidou de Suzy Creamcheese, eles fizeram alguns barulhinhos com um colchão de mola e soltaram gemidos e risadas e no dia seguinte, entregou a fita para o seu cliente esperando a recompensa financeira combinada. Acontece que o cliente era um policial disfarçado e Zappa foi preso em flagrante por confeccionar material pornográfico. Passou alguns dias na cadeia antes de seu pai chegar de Baltimore para pagar sua fiança e poder liberá-lo. De positivo, como ex-detento, Frank Zappa não poderá mais, segundo a lei, ser convocado as forças armadas, perdendo assim a oportunidade de lutar no Vietnã.
Nesta fase entre 61/62, Zappa começa a compor uma opera rock chamada "I Was A Teenage Malt Shop", projeto que permaneceria inacabado. Nesta mesma época, Zappa compra de um estúdio de cinema diversos cenários futuristas, que montou no Studio Z. Resolveu então escrever um roteiro para uma ficção cientifica, que depois tentaria filmar com a ajuda dos amigos. Assim Frank Zappa cria para Don Vliet o personagem Captain Beefheart, personagem central do filme intitulado "Captain Beefheart vs. The Grunt People". O termo Beefheart sendo inspirado no tio de Vliet que curiosamente usava esta expressão para designar seu próprio membro. Don Vliet assumiria a partir de então o nome Captain Beefheart para o resto de sua carreira artística. Ainda em 1962, Zappa recebe um segundo convite para fazer uma trilha sonora para outro filme, "The World's Greatest Sinner", hoje relegado à controvertida glória de filme cult. Zappa, morando no estúdio, passa a ser um maníaco por gravações, se tornando um ás na arte de corte (com o uso de uma gilete) e edição. Com a ajuda de um técnico, ele transforma o estúdio em três, e depois cinco canais, se especializando também na técnica de overdub. Isto, quando a industria sequer tinha ainda instalado a máquina de quatro canais e a gravação estéreo como padrão de mercado. Conhece, se apaixona, e quase de imediato, casa com Gail Zappa, sua companheira para o resto da vida. Logo ela estaria dando luz à primeira filha do casal, Moon Unit Zappa. Sempre tendo grande interesse voltado para som percussivo, arranja uma apresentação musical utilizando uma bicicleta como instrumento, conseguindo com a curiosidade, uma aparição no programa de televisão "The Steve Allen Show" em 1963.
No ano seguinte foi convidado pelo amigo Ray Collins a substituir o antigo guitarrista de sua banda The Soul Giants. A formação incluía Dave Coronado no sax, o mexicano Roy Estrada no baixo e Jimmy Carl Black, um autêntico índio Cheyenne, na bateria. Coronado acabaria preferindo sair da banda uma vez que Zappa convencera todos a tocar suas composições. Zappa assumiria o controle da banda e mudaria o nome para the Muthers e depois Mothers. Como golpe publicitário, realizam um show de inauguração oficial da banda no dia das mães.
Durante sua pior fase financeira, a banda juntava cascos de garrafas, levantando assim dinheiro para comprar pão e mortadela para ter o que comer nos ensaios. Justamente nesta fase é que Tom Wilson, produtor da MGM Records foi convencido a sair do bar Whiskey Au-Go-Go onde estava, e atravessar a rua para outro bar, ouvir the Mothers, que naquele exato momento estava tocando uma versão de um número de r&b, totalmente irrelevante ao material normalmente tocado pela banda. Wilson, com pressa, ouviu dois minutos e mandou contratar, em um dos maiores golpes de sorte de uma banda na historias do rock.
A gravadora exige que the Mothers mude de nome pois em inglês, um Mother (mãe) se referindo a alguém do sexo masculino, é implicitamente associado ao palavrão Motherfucker. A banda então aceita a sugestão da gravadora e passa a usar o adendo The Mothers of Invention (As Mães da Invenção). Gravado no estúdio da MGM e lançado em 1966 pela sua subsidiaria, a Verve Records, o álbum duplo "Freak Out!", dá inicio a uma carreira extremamente produtiva, embora na época poucos especulariam sobre o tempo de duração da banda ou sua demanda comercial.
O disco une material de doo-wop com música eletroacústica, distribuindo igualmente sátira e crítica às composições, além de uma complexidade estrutural, apesar de algumas limitações de sua banda. Canções como "Go Cry On Somebody Else's Shoulder" e "You're Probably Wondering Why I'm Here", demonstram bem este aspecto satírico/analítico enquanto apresentado em formato de rock simples e doo-wop. Outras peças como "Help! I'm A Rock", "Who Are The Brain Police" e "Return Of The Son Of Monster Magnet", exigem uma maior aceitação de, como diria o próprio Frank Zappa, "coisas que não são normais." O disco passa a ser respeitado como cult na Europa, embora com pouca ou nenhuma repercussão positiva nos Estados Unidos. Para muitos, Freak Out! é o primeiro disco conceitual do rock e por pouco não é o primeiro álbum duplo do rock também. Seu próximo disco, "Absolutely Free", faria outro marco importante para sua imagem na Europa como artista intelectual sério. O disco oferece novamente seu humor ácido e crítico direcionados a América e sua mentalidade industrial onde rege a quantidade sobre a qualidade, criticando também o americano comum por aceitar e encorajar esta postura. Assim, na Europa, tornam-se clássicos do underground canções como "Plastic People", "Call Any Vegetable", "Brown Shoes Don't Make It" e "America Drinks And Goes Home."
Seus shows são divertidos e o grosso de seu público passa a ser formado cada vez mais por uma minoria estudantil americana. Sua persona de "Mestre de Cerimonias" é bem ao estilo dos anos 50, uma arte ao seu ver em extinção. Trata sua audiência paternalmente, "Good night boys and girls", ao mesmo tempo que deixa acesso livre para a plateia participar do show, subindo no palco e interagindo com a banda em mini peças teatrais, que compõe boa parte de sua apresentação ao vivo. Sua capacidade de dominar uma audiência e manter este controle sobre eles, é impar. Sua música flutua entre doo-wop, free jazz, r&b, música de câmara e eletroacústica. Suas composições, principalmente suas partituras percussivas, tem em si grandes doses da influência de Varese. Aos poucos, além de engraçados e divertidos para o público assistir, seus shows começam a atrair outros músicos a quererem se afiliar a banda. Vão entrando e compondo as diversas formações dos Mothers of Invention músicos desconhecidos como Elliot Ingber, Billy Mundi, os irmãos Bunk e Buzz Gardner, Don Preston e possivelmente o mais talentoso destes, Ian Underwood, bacharel em piano e exímio saxofonista.
Em 1967, aproveitando uma temporada da banda em Nova York, Zappa assina um contrato com a Columbia Records, gravando uma serie de composições com a orquestra da gravadora. Zappa alegaria depois que ele acreditava que seu contrato com a MGM como membro dos Mothers of Invention, não o impediria de ter outro contrato com outra gravadora sob seu nome pessoal. Evidentemente que a MGM travou a fita e uma vez o equívoco fosse resolvido entre as duas gravadoras e o artista, Zappa usaria este material mixando também material experimental que inclui conversações, lançando tudo com o curioso nome de "Lumpy Gravy".
Outro disco marco de sua carreira seria o álbum "We're Only In It For The Money", um disco analítico da América, mormente da costa oeste, no ano de 1967. O disco questiona o movimento Flower Power, como também satiriza o hippie de ocasião e todo o movimento de San Francisco, então no seu auge. Acusa a tradicional usurpação de idéias "alternativas" pela industria tornando-as em produtos para consumo de massa. Esta observação fica clara quando Zappa utiliza o layout do disco Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles para fazer uma paródia.
O disco é proibido de ser lançado com a capa original, por estar infringindo direitos de criação e o processo atrasa em quase um ano o lançamento. Zappa inverte as capas, utilizando então a capa de dentro como capa externa e vice versa, conseguindo assim driblar a acusação, e o disco chega às lojas em 1968. O ano de 1968 foi em si um ano marcado pela política e lutas estudantis ao redor do mundo. Na Tchecoslováquia, jovens usariam a canção "Plastic People", do álbum Absolutely Free, como hino de protesto durante as manifestações em Praga. Atitudes similares aconteceriam na Polônia. Na América, a controvérsia da capa de We're Only In It For The Money como também sua crescente popularidade na Europa, chama a atenção da crítica americana para a banda; muitos ainda não entendendo o material. Zappa continua sendo completamente ignorado pela mídia e grande público, mas respeitado entre ouvidos mais treinados e exigentes.
Grava então sua ode para o doo-wop, estilo muito popular antes da Beatlemania, que é o disco "Cruising with Ruben & the Jets". Paralelamente, posa sentado de calça arreada, sobre uma privada, para um poster publicitário. Com isto, Frank Zappa passa a ser um nome que todo mundo ouviu falar mais quase ninguém realmente ouviu. Por conseguinte, muitas coisas ditas a seu respeito são falsas. Entre as mentiras mais famosas, existe um de que Frank Zappa havia comida cocô no palco em um dos seus shows. Ele passaria boa parte de sua vida negando tal feito. Durante o período entre 1967 e 1969, Zappa tem aproveitado cada oportunidade para escrever uma vasta gama de material de música de câmara. Diferente da maioria dos músicos que conhecemos, Zappa não compõe utilizando um piano ou violão. Ele compõe música usando apenas a caneta e o papel. Elas nascem em forma de partituras para depois algum dia serem efetivamente executadas por músicos. Zappa organiza então este material mais recente, arranjando-o para uma trilha sonora, e aproveita para escrever o roteiro para um filme de monstro, tipicamente B (tão comum após a Segunda Guerra) que ele batiza de "Uncle Meat". Sem conseguir os devidos fundos, apenas parte do material musical seria lançado em seu álbum duplo, "Uncle Meat" de 1969. Levaria outros dois anos para conseguir colocar a maior parte da trilha, desta vez em outro filme escrito por ele, já com outro roteiro e concepção, agora chamado, "200 Motels" (1971).
Entre 1968 e 1969, a MGM/Verve andava mal das pernas, e Zappa funda sua própria gravadora, a Bizarre Records. Paralelamente vários membros dos Mothers of Invention são substituídos. Zappa e Ian Underwood gravam então um dos discos mais queridos de sua discografia: "Hot Rats". Nele há a participação de um jovem violonista francês chamado Jean Luc Ponty. Frank Zappa, ainda viria a produzir o primeiro disco de Ponty, intitulado "King Kong", com Ponty interpretando composições do próprio Zappa, várias ainda inéditas até então.
"Hot Rats" também oferece a colaboração de Captain Beefheart e traz à tona o violonista Sugar Cane Harris, tocando violino elétrico pela primeira vez. Harris voltaria a participar de seu próximo e ultimo disco com os Mothers of Invention, "Burnt Weeny Sandwich".
Zappa também contrata para a Bizzare Records uma banda com um nome único, Alice Cooper, os aconselhando apenas a mudar de visual, então excessivamente normal. Entre outras bandas a fazerem parte do novo selo, sendo gravados, produzidos ou orientados por Frank Zappa, estão Tim Buckley, Captain Beefheart & His Magic Band, a dupla Judy Henske & Jerry Yester (ex- Lovin' Spoonful), Tim Dawn, Wild Man Fisher e The GTO's. Nem todos marcaram a indústria.
Em 1970, a banda Mothers of Invention seria desfeita para retornar alguns meses depois com outra formação, agora sendo tratados apenas como the Mothers. Neste período de transição Zappa lança "Weasels Ripped My Flesh", uma coletânea de material ainda inédito de várias fases da banda. Da ultima formação dos Mothers, permanecem Ian Underwood e Don Preston. Zappa encontra e contrata Jeff Simmons para o baixo, e um pianista achado em um barzinho de Los Angeles, chamado George Duke. Duke iria depois seguir uma carreira de muito sucesso na década de setenta, mormente seus trabalhos com Stanley Clark. Soma-se então ao grupo a dupla de vocalista da banda the Turtles, Mark Volman e Howard Kaylan, como também o ex-baterista do John Mayall's Bluesbreakers, Ansley Dunbar.
Por limitações financeiras Zappa é obrigado a vender a Bizarre Records e todo o seu catalogo para a Warner Brothers, que mantém o selo da Bizarre apenas para os discos dos Mothers, agora Bizarre/Reprise. Os demais artistas que permaneceram com a Warner foram repassados para sua subsidiaria Reprise Records. Musicalmente, o período entre 1970 e 1972 encontraria Zappa fazendo um maior uso de piadas picantes e contando longas histórias com intervenções musicais e trilha sonora, aproveitando bem a força de locução da dupla Volman e Kaylan, que passam a ser apelidados de Flo & Eddie. Sua intenção é de tentar fazer suas composições mais complexas, um pouco mais acessíveis para um público jovem e pouco intelectualizado. Deste período, Zappa lança "Mothers Live Fillmore East: June 1971", "200 Motels" (The Mothers + A Orquestra Filarmônica de Londres) e "Just Another Band From L.A.".
Durante a sua excursão Européia no final do ano, a má sorte lhe causa inúmeros prejuízos. Primeiro, em Montreux, um incêndio causado por alguém da plateia soltando um rojão, queima o teatro onde a banda estava tocando, causando a perda de todo o teatro e, evidentemente, do equipamento da banda que lá estava. Este incidente ficaria famoso nos versos da música "Smoke On The Water" da banda Deep Purple. Tiveram que alugar equipamentos para o restante da excursão. Pouco depois, durante outra apresentação, alguém cismado que a namorada estava mais interessada em Zappa, consegue subir no palco. O rapaz se aproxima de Zappa enquanto este estava concentrado em meio a um solo de guitarra, e empurra o músico para dentro do fosso da orquestra. Pego de surpresa, Zappa cai de mau jeito, sobre o pescoço (o que mudaria sua voz para uma região mais grave) e quebra a perna, tendo que ser hospitalizado. O restante da excursão foi cancelada e a banda desintegrou. Zappa então passa a escrever incessantemente material orquestral. Monta uma banda com um naipe colossal de sopros, reunindo os melhores músicos de estúdio de Los Angeles, e faz uma pequena série de apresentações pelos Estados Unidos. Apesar do prazer profissional, o capricho estava saindo demasiadamente caro para manter e a banda teve que ser desfeita. Apenas um número menor de músicos foram mantidos. Deste período, Zappa grava e lança os discos "Waka Jawaka" e "The Grand Wazoo".
A partir de 1973, Zappa já não é mais visto pela critica especializada como um aloprado e sim como um músico sério, mesmo que excêntrico. Sua fama de carrasco se espalha, obrigando seus músicos a estudar e estudar e estudar, para conseguir executar material de alto nível de dificuldade. Para isto, antes de levar uma banda para a estrada, Zappa passa dois meses ensaiando seis dias por semana, com um mínimo de seis horas, chegando as vezes a dez horas por dia. Quem não se enquadra é despedido. Outra curiosidade em relação a sua fama de organizador é que nenhum músico pode subir no palco intoxicado. Zappa é claro quando diz que não se interessa pelo comportamento de ninguém na vida particular, mas a sua música já é difícil o suficiente estando sóbrio. Quem for pego "doidão" antes de entrar em cena é sumariamente despedido, seja ensaio ou show. Ele enterra de vez seu selo Bizarre e lança seus discos agora sob o selo DiscReet/Straight Records, sua filial dentro da Warner Brothers. Reúne o melhor de suas bandas anteriores como o casal Ian e Ruth Underwood, George Duke, Jean-Luc Ponty e Sal Marquez. Também traz novos membros: Ralph Humphrey e os irmãos Bruce e Tom Fowler. O resultado é um dos seus discos mais populares entre o público jovem de 1973, chamado apropriadamente de "Over Nite Sensation". Canções como "Dinah-Moe Hum", "Montana" e "Camarillo Brillo" serão preferidas entre as rádios universitárias e rádios FM da época.
Zappa segue compondo material cada vez mais jazzista e que desafia cada vez mais os músicos de sua banda. Entre 1973 e 1975 além dos já mencionados, ele tocaria com Jack Bruce, Jim Gordon, Jeff Simmons, Napolean Murphey Brock, Chester Thompson, Don Preston, Tony Duran, Sugar Cane Harris, Walt Fowler, Denny Walley e o velho bluseiro, Johnny 'Guitar' Watson. Os discos "Aposterphe(')", "Roxy And Elsewhere" e "One Size Fits All" lhe rendem respeito igualmente dentro da comunidade jazzista e roqueira.
Em 1976, Zappa, desanimado com seu contrato com a Warner, é informado que está devendo seis álbuns antes de poder considerar seus compromissos com a gravadora como concluídos. Ele desmonta sua banda, nunca mais usando o nome Mothers. Passa praticamente o ano no estúdio e quando excursiona, o faz com um pequeno quarteto, que inclui Terry Bozzio, Napoleon Murphey Brock, Roy Estrada e André Lewis.
No estúdio, grava e produz uma serie de composições que engloba desde o âmbito mais jazzista até o puro orquestral. Entre estas gravações, também monta rapidamente um disco onde toca praticamente todos os instrumentos. O disco, chamado "Zoot Allures", teria na capa, a formação de sua próxima banda.
Com Terry Bozzio na bateria, Patrick O'Hearn no baixo e Eddie Jobson nos teclados, somados ao cantor Ray White, a percussionista Ruth Underwood, e mais o naipe de sopros do SNL, Zappa passa a semana de Natal e Ano Novo tocando em Nova York, rendendo inclusive uma passagem no prestigioso programa Saturday Night Live. Zappa monta então para 1977 uma caixa de cinco discos chamado "Läther" e o entrega para a Warner, considerando assim, seu contrato com a gravadora devidamente encerrado. Ele pede então a devolução de todos os rolos de fita masters de todos o seu catalogo de discos. A Warner porém recusa-se a lançar a caixa, considerando o formato excessivamente anti-comercial. A gravadora também informa ao artista que todo seu catalogo pertence à gravadora e não a ele. Dá-se inicio a uma disputa judicial entre Frank Zappa e a Warner Brothers que só seria vencido pelo artista em 1979. Neste interim a Warner lança aos pingos boa parte do material contido em Läther em quatro álbuns separados. São eles, "Zappa In New York" (2LP), "Sleep Dirt", "Studio Tan" e "Orchestral Favorites".
Zappa excursiona durante os anos de 1977 e 1978 com o que muitos consideram sua banda mais pesada. Além dos já citados Terry Bozzio e Patrick O'Hearn, estão Ed Mann nas percussões; uma dupla de tecladistas, o austríaco Peter Wolf e o nicaragüense Tommy Mars; Roy Estrada nos vocais e por último, um guitarrista que Zappa encontrou em um barzinho de quinta categoria perdido no Texas. O rapaz é ninguém menos do que Adrian Belew.
Enquanto seu processo com a Warner corre, ele monta sua própria gravadora, a Zappa Records. Sua gravadora fecha contrato de distribuição com a CBS Records e tem como seu primeiro produto no mercado o álbum "Sheik Yerbouti", seguido pelos dois LP's "Joe's Garage - Act I" e "Joe's Garage Act II & III", com um elenco que inclui o guitarrista novato Warren Cucurullo, o baterista Vinnie Colaiuta, o baixista Arthur Barrow e o vocalista Ike Willis. Zappa, em dezembro, terminaria o ano lançando o filme "Baby Snakes", que mostra os melhores momentos de sua já tradicional temporada de Halloween em Nova York do ano anterior.
Uma vez ganha a disputa judicial com a Warner Brothers, Zappa retoma posse de todas as fitas mestres do seus discos anteriores. Investe seu dinheiro em um pequeno complexo de estúdios batizado curiosamente de The Utility Muffin Research Kitchen e seu estúdio No.1 de Joe's Garage. O complexo inclui também um escritório que cuida de mercadoria a ser vendida para o público via correspondência. Este setor de sua empresa é, em si, uma empresa à parte, chamada Barfko Swill, dirigida e comandada por Gail Zappa, sua esposa. Zappa encosta a Zappa Records e seu contrato deficitário com a CBS e cria outro selo, o Barking Pumkin Records.
Lança então três LP's só de solos de guitarras, pensando em um público específico de guitarristas, e possivelmente outros estudantes de música. FZ não crê, a princípio, que vá ter uma grande procura. Engano seu. Estes discos não são encontrados em lojas, sendo adquiridos nos Estados Unidos apenas através de correspondência. São eles "Shut Up N' Play Yer Guitar", "Shut Up N' Play Yer Guitar Some More" e "The Return Of The Son Of Shut Up N' Play Yer Guitar". Para a Europa, ele permite o lançamento em lojas dos três discos em formato de caixa tripla. Este formato se mostra extremamente popular e começaria a ser importado para os Estados Unidos.
Assim sendo, em 1981 Zappa lança a caixa tripla também na América no mesmo dia que seu mais novo álbum duplo, "Tinseltown Rebellion" de gravações ao vivo realizadas no inicio do ano. A banda basicamente é a mesma, porém com duas modificações e duas adições. A soma de mais um tecladista, Bob Harris que já tocara com Zappa em 1971 e 1972, além da volta do cantor Ray White; na bateria, o estreante David Logemann e na guitarra, um rapaz recém saído da faculdade chamado Steve Vai que continuaria com Zappa até 1984 seguindo então para fama mundial como um dos mais hábeis guitarristas vivos. Ainda em 1981, Zappa lançaria outro álbum duplo de material de estúdio chamado "You Are What You Is". A temática do disco seguiria com pesadas críticas à proliferação de programas televisivos regidos por pastores evangelistas. Zappa questiona abertamente as fortunas que estas igrejas repentinas levantam, sem precisarem pagar impostos. Canções que abrangem estes temas são "The Meek Shall Inherit Nothing" (O Humilde Não Herdará Nada) e "Heavenly Bank Account" (Sagrada Conta Bancaria).
Outro assunto que passaria a freqüentar este e os próximos discos do Zappa é o uso excessivo de cocaína pela sociedade moderna. A canção "You Are What You Is" teria seu video clip banido pela MTV por mostrar um sósia do então presidente Ronald Reagan sentando na cadeira elétrica e sendo executado por um negro. Reagan, como alguns já devem ter esquecido, enquanto governador da California no final da década de sessenta, foi acusado de ter pertencido quando jovem, ao grupo racista conhecido como Klu Klux Klan.
Em 1982, Zappa conheceria seu primeiro Top 10 hit com a canção "Valley Girl". A canção basicamente consiste em uma bateria (Chad Wackerman), um baixo (Scott Thunes) e a voz de sua filha Moon Unit Zappa recitando uma história sobre uma adolescente da região do San Fernando Valley. A intonação típica da região é na voz de Moon ironizada, ela criando no processo, alguns termos que se tornarão gíria em todo o país, graças ao sucesso da canção. O estilo "Geração Valley" seria tão popular, que até hoje é imitada por personagens adolescentes como no filme "As Patricinhas" ou o desenho "South Park". A imprensa começa a tratá-lo como gênio incompreendido. Sua vitória contra a poderosa gravadora Warner Brothers em 1979 lhe dá mais respeito entre uma maior gama de artistas. Com o seu vasto catálogo de discos, suas bandas, um celeiro de talentos, e agora dono de sua própria empresa, o termo sucesso é constantemente aplicado para definí-lo. Nunca Frank Zappa esteve tão respeitado pela critica especializada, e, assim sendo, passa a freqüentar as capas das melhores revistas sobre música do mundo.
Zappa segue o restante da primeira metade da década de 1980 excursionando e produzindo discos de complexidade musical e relativa variedade temática. Destes, possivelmente o melhor seja o "Them Or Us", primeiro a conter uma participação de seu filho, Dweezil Zappa.
Em destaque fica também o disco "LSO Vol.1", disco lançado pelo selo Zappa Records que contém a Orquestra Sinfônica de Londres tocando material inédito do compositor. O Vol.2 sairia em 1987. Agora com um contrato de distribuição com a EMI, o selo arranja para que Zappa trabalhe com Pierre Boulez, resultando no LP "A Perfect Stranger". Zappa também investe no ramo de vídeos, abrindo sua firma Honker Videos, o logo sendo o formato de seu nariz protuberante. Com a Honker, Zappa passa a controlar lançamentos de suas apresentações, como também relançamentos de seus primeiros filmes. Entram assim no mercado sete títulos diferentes, de material antigo embora inédito, como "Uncle Meat", até coisas mais recentes como "Does Humour Belong In Music?" que contém uma parte da apresentação de sua banda em Nova York em 1984.
Para aumentar ainda mais a variedade de gêneros e estilos na sua discografia, Frank Zappa descobre a existência de um músico italiano barroco chamado Francesco Zappa. Sua pesquisa o leva a encontrar uma série de partituras deste obscuro músico e a coincidência do nome o leva a gravar este material, utilizando um instrumento recém lançado no mercado, o Synclavier.
Com uma ação levantada por um grupo de senhoras, esposas de senadores, que vão ao congresso pedir que se estude uma maneira eficaz de censura para músicas consideradas obscenas, Frank Zappa é um dos primeiros a gritar contra. Ele faz campanha defendendo a primeira emenda da constituição que declara a liberdade de expressão. O processo segue durante o curso do ano de 1986 e acaba com uma legislação que não censura o material artístico a ser lançado, mas cria a obrigação por parte das gravadoras, a terem que colocar um adesivo avisando que o material contido na obra pode ter linguagem considerada agressiva para o consumidor. Em meio a este debate público na América, Zappa lança o disco "Frank Zappa Meets The Mothers Of Prevention", que explora o assunto com o tema "Porn Wars". O material mistura composições no Synclavier com algumas com banda "viva". Ciente do nível de dificuldade de suas composições e a dedicação exigida para músicos poderem executá-las corretamente, Zappa vê no Synclavier sua chance para conquistar uma liberdade como compositor. Agora ele não é mais limitado a escrever música que seja humanamente possível tocar. A máquina pode executar a canção em tempos humanamente impossíveis se ele puder escrever para isso. Zappa então declara para o espanto de muitos, sua intenção de abandonar a guitarra e não mais excursionar com banda, se dedicando exclusivamente a composições com o Synclavier. O primeiro de tais trabalhos é o disco "Jazz From Hell" que receberia seu primeiro e único Grammy.
O ano de 1987 é dedicado ao relançamento em vinil de todo seu antigo catalogo da Verve e Bizarre, agora pelo selo Barking Pumpkin, no que foi chamado de "The Old Masters Box 1, 2 e 3". Ele aproveita para lançar uma fita cassete para uma edição especial da revista Guitar World recheada de solos ainda inéditos, chamada "The Guitar World According To Frank Zappa".
Curiosamente em 1988 ele volta atrás e resolve excursionar novamente. Monta uma banda contendo uma grande quantidade de sopros, recurso ausente em suas bandas desde 1976 e excursiona Europa. Durante a metade da excursão americana dores obrigam ao cancelamento do tour. Levaria outros quatro anos até ele se pronunciar publicamente como tendo câncer na próstata. Um dos primeiros a defender a mudança do mercado para gravação digital, fecharia negócios com a Rycodisc que passaria a lançar todo o seu catalogo em CD. Zappa passaria então a se dedicar a editar e mixar um vasto material guardado em seu cofre. Este material seria periodicamente lançado como a série "You Can't Do That On Stage Anymore", tendo o volume 6 sua última edição. Ainda em 1988 lançaria o álbum duplo chamado simplesmente de "Guitars", novamente como no projeto "Shut Up N' Play Yer Guitar", contendo somente solos. Tira o ano para se candidatar à presidência dos Estados Unidos. Em seu discurso oficial para candidatura ele declara, "Não conseguiria ser pior do que os que já passaram por lá". Seu último lançamento em vinil foi o álbum duplo ao vivo, "Broadway The Hard Way", onde a temática continua a debochar das relações de interesse mútuo entre políticos e pastores evangélicos.
Em 1989 lança sua biografia, "The Reel Frank Zappa Book", como também fecha contrato com a Rhino Records para lançar oficialmente todo material incluídos nos seus piratas mais populares. Tática sem precedente, a intenção é obviamente vencer o mercado da pirataria lançando o mesmo material oficialmente e assim, passar a lucrar com estes discos que há anos circulam no mercado. Assim nasce a serie "Beat The Boot! Vol. 1 & 2".
Na década de noventa, Zappa lança o material da sua última excursão em dois CD's duplos, chamados The Best Band You Never Heard In Your Life e Make A Jazz Noise Here. Outros CD's, todos duplos, exploram fases mais antigas de sua carreira, como Playground Psychotic, contendo a fase com a dupla Mark Volman e Howard Kaylan, como também Ahead Of Their Time, oferecendo uma apresentação do Mothers of Invention no Albert Hall em 1968.
Seu último disco vivo foi o CD de música de câmara, The Yellow Shark, realizado graças ao grupo alemão chamado The Ensemble Modern. Zappa que já tinha praticamente desistido de gravar um trabalho mais erudito, dado a dificuldade em conseguir uma grande quantidade de músicos a estudar obsessivamente as partituras e os fundos que estes ensaios, nem sempre produtivos custam, teve com o Ensemble Modern, a grata surpresa e prazer de encontrar um grupo de músicos totalmente dedicados a sua música.
O material estreou em 1992, durante uma feira cultural em Berlim, na Alemanha, onde Frank Zappa assistiu a primeira de uma serie de apresentações. Se sentindo mal, voltou imediatamente para California. Lá, ele editou, mixou e lançou o disco.
Frank Zappa veio a falecer pouco depois, no dia 4 de dezembro de 1993 em sua residência em Canoga Park, Califórnia. Ele deixa uma viuva, Gail Zappa e quatro filhos, Moon Unit, Dweezil, Ahmit e Diva Zappa. Deixa também quase prontos dois álbuns. O primeiro foi lançado no primeiro aniversário de morte, chamando-se Civilization - Phase III, uma espécie de seqüência de Lumpy Gravy, utilizando gravações de falas e temas tocado no Synclavier. Depois, seria lançado pela família Lost Episodes, oferecendo material gravados entre 1962 e 1969.
A família Zappa funda The Zappa Family Trust que cuida de todo o espólio do artista e periodicamente lança um CD novo. Geralmente o material consiste em coletâneas ocasionalmente oferecendo algumas faixas com versões alternativas para poder também atrair o interesse do fã fervoroso. Para estes, as opções mais interessantes são os CD's Mystery Disc e Cucamonga, totalmente dedicados a oferecer gravações obscuras do artista.
Em 11 de Maio de 1980, foi descoberto pelo astrônomo tcheco, L. Brozek, um pequeno planeta entre Marte e Jupiter. O planeta tem um curso elíptico que dura aproximadamente quatro anos e oito meses, em tempo terreno, para dar uma volta completa pelo sol. A ele foi dado o número oficial de 3834. Surgiu então a idéia de um professor italianos a batizar a pedra sideral com um nome que homenageia Frank Zappa. Depois de um ano de campanha, e esforços combinados, que incluiram correspondência maciça pela internet por parte de fãs, como também uma carta de bons votos do Diretor de Política Externa da Tchecoslováquia Dr. Pavel Seifter, escrito em nome do chefe de estado daquela nação, Presidente Vaclav Havel, e do oportuno apoio de Dr. Brain Marsden do Minor Planet Center (Centro de Planetas Menores), uma ramificação do Smithsonian Astrophysical Observatory (Observatório Smithsonian de Astrofísica), que levou a proposta para a instituição competente, a International Astronomical Union (União Astronômica Internacional). Foi oficialmente homologado o nome do planeta para (3834) Zappafrank no dia 22 de Julho de 1994.
Com a noticia de que Frank Zappa havia se tornado nome de um pequeno planeta dentro do nosso sistema solar, outro professor, Dr. Bob Belas, assistente no Sensory Transduction Center of Marine Biotechnology, que faz parte do Instituto de Biotecnologia da Universidade de Maryland, situado em Baltimore, cidade onde Frank Zappa havia nascido, identificou um gen dentro de uma bacteria Proteus que libera uma enzima "IgA Protease." Esta enzima está sendo extra oficialmente batizada de zapA. Faltam ainda os trâmites legais para o nome ser oficial. Tendo agora um planeta homenageando Frank Zappa, conhecendo o seu senso de humor tão especial, podemos procurar um novo significado em seus dois títulos, "Cosmic Debris" (74) e "Help!, I'm A Rock" (66). "Biografia por Márcio Ribeiro".

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Sexta-feira, Março 24, 2006

Blues, Hard Rock e muitas drogas...

Thin Lizzy - Live And Dangerous

01. Jailbreak
02. Emerald
03. Southbound
04. Rosalie/Cowgirl's Song
05. Dancing In The Moonlight
06. Massacre
07. Still In Love With You
08. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed
09. Cowboy Song
10. The Boys Are Back In Town
11. Don't Believe A Word
12. Warrior
13. Are You Ready
14. Suicide
15. Sha-la-la
16. Baby Drives Me Crazy
17. The Rocker

Formado em 1969 pelos irlandeses Phil Lynnot (baixo e vocal), Brian Downey (bateria) e Eric Bell (guitarra), o Thin Lizzy iniciou as suas atividades em Dublin, Irlanda, tocando em pequenos clubes e bares. O repertório variava entre covers e algumas composiçoes de Phil.
Em 1970 assinam com o selo Decca, onde lançam tres albuns e uma serie de compactos. Nos dois primeiros albuns, "Thin Lizzy" e "Shades of Blue Orphanage", o estilo ainda era centrado em uma mistura de Folk e Blues. No terceiro album, "Vagabonds of Western World", eles optaram por um som mais pesado. Conseguiram colocar nas paradas de sucesso os singles "Whiskey in the Jar" e "The Rocker". A banda começava, enfim, a ter sucesso.
Pulamos para 1973. Neste ano, Eric Bell deixa a banda e é substituido temporariamente por Gary Moore, amigo de muitos anos de Phil Lynnot. Trocam o selo Decca pelo Vertigo. O escoces Brian Robbertson e o americano Scott Gorhan assumem as guitarras. O Thin Lizzy esta pronto para decolar.
Gravam "Nigh Life" (1974), "Fighting" (1975) e estouram para o mundo com o album "Jailbreak", em 1976. Seguem-se os albuns "Johnny the Fox" e "Bad Reputation", ambos de 1977. O Thin Lizzy ja era reconhecido como um super-grupo.
Em 1978 veio a consagraçao definitiva: foi lançado o album "Live and Dangerous", considerado ate hoje um dos melhores "ao vivo" de todos os tempos. Brian Robbertson deixa o grupo. Mais uma vez Gary Moore é chamado. Com esta formaçao gravam o album "Black Rose", em 1979. O sucesso continua.
O ano de 1980 chega e a banda começa a ter problemas. Phil Lynnot começa a se afundar nas drogas. Gary Moore deixa a banda e é substituido por Snowy White, ex-sideman do Pink Floyd. Phil lança o album solo "Solo in Soho". O Thin Lizzy grava o album "Chinatown".
Lançam em 1981 o album "Renegade". Darren Wharton, que tocou como convidado no disco anterior, assume os teclados como efetivo. Snowy White deixa a banda.
Estamos em 1982. Phil Lynnot lança mais um album solo, "The Phil Lynnot Album". John Sykes, ex-Tyger of Pan Tang, assume uma das guitarras. Gravam o último album de estudio "Thunder and Lightning". Phil esta perdendo a luta para as drogas...
Em 1983 o Thin Lizzy faz a sua turnê de despedida com a participaçao dos membros anteriores, menos Snowy White. A turnê foi registrada no album "Live Life". O Thin Lizzy nao existe mais.
Phil Lynnot ainda tenta continuar na ativa. Monta a banda Grand Slam, com o ex-baterista do Thin Lizzy, Brian Downey. O projeto não vai adiante. Em 1985, Phil e Gary Moore excursionam juntos. Phil está doente.
Em 04 de Janeiro de 1986, Philip Parris Lynnot, negro, filho de pai brasileiro e mãe irlandesa, morre de complicaçães de saúde derivadas do uso contínuo de drogas pesadas. Para homenagear Phil Lynnot, sua música e sua poesia, existe na Irlanda a Fundação Roisin Dubh (Black Rose, em gaélico), mantida por sua mãe Philomena Lynnot. Anualmente, no dia da morte de Phil, 04 de Janeiro, acontece um espetáculo em sua homenagem, o "Vibe For Philo", com a presença de antigos membros do Thin Lizzy, bandas covers e convidados.

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Terça-feira, Março 14, 2006

Atendendo a Pedidos, o mestre Alvin Lee

Ten Years After - Cricklewood Green

01. Sugar The Road
02. Working On The Road
03. 50,000 Miles Beneath My Brain
04. Year 3,000 Blues
05. Me And My Baby
06. Love Like A Man
07. Circles
08. As The Sun Still Burns Away
09. Warm Sun
10. To No One

Formado por Alvin Lee, Leo Lyons, Chick Churchill e Ric Lee, em 1967, o Ten Years After iniciou sua entrada no hall da fama do rock no lendário Club Marquee de Londres. Uma apresentação apoteótica num domingo à noite no clube foi suficiente para torná-los revelação de 1967. O grupo foi convidado a participar do Windsor Jazz and Blues Festival, em 1967, onde roubou a cena do festival e, com isto, marcou sua entrada no show business.
No outono de 1967, a banda assinou contrato com a gravadora Decca e gravou seu primeiro álbum. Com lançamento simultâneo nos Estados Unidos, o impacto foi suficiente para o promotor de eventos Bill Graham levá-los para fazerem o show no lendário Fillmore West, famoso reduto de rock dos anos 60/70. Através desta primeira tour nos Estados Unidos a banda ganhou notoriedade e chamou atenção pelo virtuosismo de seu jovem guitarrista, Alvin Lee. Tocando de uma forma singular Alvin cativava a platéia com seus solos e sua rapidez no instrumento, o que o levou várias vezes a ser indicado como o melhor guitarrista dos festivais por onde se apresentavam.
Rapidamente o grupo fez grande sucesso, sendo sempre considerado a atração principal por todos os locais por onde se apresentava. Em 1969 tocaram no festival Woodstock, onde estavam os maiores nomes do rock da época, entre eles, Jimi Hendrix, The Who e muitos outros. Mesmo com uma quantidade enorme de grupos consagrados no festival, o Ten Years After foi convidado para o encerramento de uma das noites, parte nobre dos eventos. Junto com Jimi Hendrix, Alvin Lee foi considerado o melhor guitarrista do festival. levando o Ten Years After a colocar um de seus singles no Top 10 das paradas americanas.
Entre 1968 e 1975 o grupo realizou 28 tours pelos Estados Unidos, e um número ainda superior na Europa e Asia. Durante este período, os maiores sucessos foram “Love Like a Man” (Top 10 nos USA e Inglaterra), “I´d Love to Change the World” (Top 10 na Inglaterra e Top 20 nos USA) e o grande hit de Woodstock, “I´m going Home”, que chegou a obter o primeiro lugar de execução nas rádios americanas por 18 semanas entre 1969 e 1970.
Em 1975, cansados das tours e devido a um desgaste natural de relacionamento, o grupo resolveu se desfazer. Seus integrantes buscariam seus próprios caminhos. Inevitavelmente, Alvin Lee usou toda sua popularidade para desenvolver sua carreira solo. Em 1983, ano em que o Marquee Club completou 25 anos, a banda foi convidada a realizar uma série de shows comemorativos. Novamente os resultados e a aclamação do público foram surpreendentes, porém nem isto foi suficiente para reintegrá-los como grupo novamente.
Em 1988 uma proposta milionária dos produtores de festivais alemães, convenceu os músicos a se unirem para se apresentarem em 4 festivais. Novamente os resultados foram surpreendentes e o grupo resolveu gravar um disco pela Columbia Records/Chrysalis, “About Time”. O sucesso do disco levou-os a realizar uma tour pelos USA e Europa para uma série limitada de shows.
Em 1994, a banda novamente reuniu-se para as comemorações dos 25 anos do Festival Woodstock , onde gravaram sua apresentação ao vivo para a coletânea do festival. Em 1997, comemorando seus 30 anos de carreira, a banda lança pela Chrysalis um CD comemorativo chamado “Solid rock”, que será lançado durante sua tour pelo Brasil pela EMI/CRYSALIS. O disco possui uma seleção dos melhores momentos da carreira do grupo além de três faixas inéditas.


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Quinta-feira, Março 09, 2006

Muito além de "Born To Be Wild"

Steppenwolf - The Second

01. Faster Than the Speed of Life
02. Tighten up Your Wig
03. None of Your Doing
04. Spiritual Fantasy
05. Don't Step on the Grass, Sam
06. 28
07. Magic Carpet Ride
08. Disappointment Number (Unknown)
09. Lost and Found by Trial and Error
10. Hodge, Podge, Strained Through a Leslie
11. Resurrection
12. Reflections

John Kay ainda era uma criança, quando foi para o Canadá fugindo da perigosa Alemanha Oriental pós-guerra. Foi acolhido pelas Forças Armadas e lá começou a trabalhar numa rádio amadora. Bastante influenciado por Little Richard e Chuck Berry resolveu fazer do Rock ‘n Roll a sua vida.
Sempre rebelde, aos 14 anos de idade, Kay de repente se viu do outro lado do Atlântico, em Toronto, Canadá, com um violão na mão. Aprendeu inglês com uma rapidez incrível e começou a executar, na rádio em que trabalhava, as músicas de sua preferencia.
Após sair do colegial, Kay começou a tocar blues acústico em cafeterias e bares da região. Não demorou muito para que conhecesse e se unisse à banda canadense The Sparrow, em 1965, enquanto tocava na Toronto Yorkville Village.
O grupo viajou de Toronto para Nova Iorque e depois para São Francisco fazendo um show atrás do outro, tendo como conseqüência uma integração completa no cenário musical da região.
Em 1967 a banda se separa depois de várias tentativas fracassadas de lançar um disco pela Columbia Records. Dois meses depois, John Kay forma a banda Steppenwolf em Los Angeles com os americanos Michael Monarch na guitarra, Goldy McJohn nos teclados e os canadenses Rushton Moreve no baixo e Jerry Edmonton na bateria.
Conquistam um público nunca esperado com o lançamento do single "Born To Be Wild" em 1968 escrito pelo guitarrista do The Sparrow, Dennis Edmonton, e seu irmão baterista Jerry. Canção essa que se tornaria mais tarde um dos maiores clássicos do Rock se imortalizando no clássico filme de Dennis Hopper, "Easy Rider".
Antes de gravar o primeiro disco, John Morgan substitui Moreve no comando do baixo, e lançam então o esperado álbum com o mesmo nome do single de sucesso anterior, "Born To Be Wild". Empurrado pelos outros hits "Magic Carpet Ride", "The Pusher" e "Rock me", o debute alcança o segundo lugar na lista dos mais vendidos em poucas semanas.
Decididos a se aproveitar do sucesso instantâneo, a banda começa a compor sobre assuntos contemporâneos como política, drogas e preconceito racial, e com mais uma mudança de formação, desta vez com Larry Byrom assumindo a guitarra e o alemão Nick St. Nicholas no baixo (ex-membros da Time), lançam o disco "Monster", outro álbum de sucesso nos Estados Unidos. As constantes mudanças de seus integrantes, entretanto, minaram a estabilidade do grupo.
Em meio aos anos 70, Kay decide terminar com o grupo e embarca em carreira solo lançando discos como "Forgotten Songs", "Unsung Heroes", "My Sportin' Life And All In Good Time". No fim dos anos setenta, porém, Kay percebeu vários falsos grupos usando o nome Steppenwolf que estavam fazendo turnês e denegrindo a reputação da banda original criada por ele. Em 1980 decidiu agir, e rapidamente a John Kay Band se tornou John Kay e Steppenwolf. Vários anos de turnês intensivas se seguiram e resultaram na reconstrução do nome. Para restabelecer esse nome, John Kay e Steppenwolf lançaram cinco álbuns e viajaram durante todos os anos pelo mundo, mas não com a mesma força de antes.
Na metade dos anos 80, Kay deixa a banda novamente e passa a produzir e compor para os sócios Michael Wilk (teclados, baixo, vocais) e Ron Hurst (baterista e vocalista). A banda passou a ser conduzida então pelo guitarrista Danny Johnson.
Em 1994 Kay retorna triunfalmente com o Steppenwolf para tocar em concertos na antiga Alemanha Oriental onde ele se reencontrou com os amigos e parentes que não via desde os 4 anos de idade, e nessa oportunidade aproveita para lançar a sua autobiografia intitulada de "Magic Carpet Ride"
Com vendas globais de mais de 20 milhões de discos por todo o mundo (e aumentando anualmente), suas canções entram cada vez mais para uso em cinema e televisão, e o grupo continua gravando e fazendo shows. Lançam então uma coletânea com 25 sucessos ao vivo, incluindo 2 inéditas gravadas durante a The Silver Anniversary Tour Recordings.
Em 1996 eles lançaram um dos mais pesados discos da banda, o "Feed The Fire" pela Winter Harvest Records. Com o mesmo nome desse último álbum sai o único vídeo da banda.
Kay foi introduzido pela Academia Canadense de Artes Gravadoras e Ciências (CARAS) no Hall Of Fame em março de 1996. Com um fã-clube ativo e realizando anualmente o Wolf Festival, a banda continua tocando e se apresentando esporadicamente, porém não mais com a magia do final da década de 60.

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Quarta-feira, Março 08, 2006

Peter Vive!!

Peter Frampton - Frampton Comes Alive

01. Something's Happening
02. Show Me The Way
03. Wind Of Change
04. Baby, I Love Your Way
05. I Wanna Go To The Sun
06. Lines On My Face
07. Do You Feel Like We Do
08. (I'll Give) You Money
09. Shine On
10. Jumping Jack Flash

Em 1976, o inglês Peter Frampton se tornou a maior sensação do ano, vendendo 13 milhões de copias de um disco, em um ano, um récorde sem precedentes até então. Cantor e guitarrista de incrível talento, seu momento de ápice sumiu quase tão rápido quanto apareceu. Mesmo assim, é difícil encontrar alguém que não conheça seu nome.
Peter Frampton nasceu em 22 de Abril de 1950 na cidade de Beckenham, em Kent, na Inglaterra. Aos sete anos, ouvindo um recital de piano pelo rádio com seus pais, ele seguidamente se queixa de que “algo está errado com este piano.” Seus pais não compreendem a sua reclamação até que ao final da apresentação, o locutor da estação se desculpa, pois, como ele passou a informar, durante a execução, uma folha de partitura caiu e repousou sobre as cordas do piano. A partir daí, seus pais perceberam que seu filho tinha um ouvido especialmente sensível para música.
Aos oito anos, Peter ganhou de presente um ukulele, espécie de cavaquinho havaiano, e sozinho aprendeu uma série de músicas infantis, todas de três acordes. Seu gosto musical incluía Cliff Richards, cujas músicas fariam parte de seu repertório em uma apresentação escolar que também incluiria sua primeira composição própria, um instrumental. Aos nove anos ganhou seu primeiro violão, passando a ter aulas de violão clássico, que embora não fosse a música que ele queria tocar, lhe deu a disciplina e moldou a técnica que, mais tarde, Peter iria desenvolver.
Paralelamente ao material clássico, Frampton ouvia e executava material de B. B. King e Buddy Holly. Os resultados desta mistura de influências e técnica mostraram-se frutíferas quando, ainda aos dez, Peter foi aceito como guitarrista convidado na obscura banda The Little Ravens, composta por colegas bem mais velhos de sua escola. Quem passou a cantar com ele foi o então desconhecido David Jones, mas tarde rebatizado David Bowie, que admirava o menino que já tocava bem melhor do que o guitarrista fixo de sua outra banda, George & the Dragons. O pai de Peter era professor de Bowie, então no 2º Grau.
Aos onze Peter formou sua primeira banda, the Truebeats, compondo então uma serie de instrumentais que formaria o grosso do repertório. Frampton e Bowie tocariam juntos ocasionalmente durante todo o período de ginásio e 2º Grau, até Bowie sair da escola. Ainda conhecido como Davie Jones, Bowie seguiria sua carreira entrando e saindo de bandas até que com os King Bee's, assina com a Vocalion Records. Frampton, três anos mais novo e ainda na escola, igualmente teria ainda em 1964, o inicio de sua carreira profissional.
Perto de completar quatorze anos, o pequeno fenômeno teve moral para ser aceito em uma outra banda, The Preachers, que tocava uma mistura de material entre funk, soul, blues e rock ‘n’ roll. Seu baterista era Tony Chapman que tocara com os Rolling Stones em uma de suas primeiras formações e era amigo antigo de Bill Wyman. Chapman ao apresentar the Preachers a Wyman, é imediatamente contratado para a sua produtora, a Freeway Music. Wyman acaba produzindo o primeiro compacto dos Preachers, como também contratando Chapman e Frampton como músicos de estúdio para outras produções.
Em 1966, Frampton, então com dezesseis anos, deixaria a escola e entraria no the Herd, obtendo no ano seguinte um contrato com uma gravadora, a Fontana Records. O primeiro compacto do the Herd seria "From the Underworld", um hit que atrai a atenção das revistas teens, que passam a explorar os dotes físicos do guitarrista. O disco de estreia da banda, "From the Underworld" foi seguido em 1968 com "Paradise Lost" e "Lookin' Thru You". Os hits "Paradise Lost" e "I Don't Want Our Loving to Die" garantem mais idolatria teen onde Peter Frampton é declarado "o rosto" (the Face) de 1968.
Peter não demora a se cansar da atenção excessiva da mídia para sua boa aparência e pouco reconhecimento quanto a seu trabalho como músico. Embora ele e o tecladista Andy Bown compusessem a maior parte do material da banda, o som do the Herd tinha que primeiro satisfazer o gosto e aspirações comerciais de seus empresários, que cada vez mais, obrigam gravações de baladas com arranjos orquestrais. Frampton, insatisfeito, deixa the Herd no final do ano.
No Ano Novo de 1969, Steve Marriot se apresenta pela última vez com sua banda Small Faces. Pouco depois, ele e Frampton se reúnem, com mais Greg Ridley (baixo) e Jerry Shirley (bateria), para formar o Humble Pie na primavera de 1969. A banda, que toca uma mistura de blues, folk e rock, acaba se tornando uma das primeiras “guitar bands” da nova era do rock a abrir a década de setenta. Marriot, ainda sob contrato com a Immediate Records, lança pelo selo o álbum de estreia de sua nova banda, "As Safe As Yesterday Is". Com a Immediate Records indo à falência, seguida de uma mudança de empresário, Humble Pie assina com a A&M Records em 1970.
Excursionando pelos Estados Unidos, a banda se torna a primeira a se apresentar no Shea Stadium desde os Beatles, abrindo para o Grand Funk. Seu novo empresário, Dee Anthony, usa como estratégia de marketing, a de botar a banda excursionando continuamente, abrindo shows de diversas bandas, até conseguir um publico cativo.
É no Humble Pie que Peter Frampton desenvolve muito do que seria o som e estilo que marcaria sua carreira. Pode-se dizer que no início Peter Frampton era um aprendiz de Steve Marriot, que lhe ensinou muito sobre como se comunicar com o publico ao vivo. Mas no que se refere ao repertório, Peter como co-fundador, tinha voz ativa em peso de igualdade dentro da unidade. O empresário Antony passa a aconselhar Marriot a puxar a banda mais para o heavy rock e blues, direção oposta do repertório mais melódico que Frampton gostava de dar à banda. Com "I Don't Need No Doctor", Humble Pie consegue seu primeiro hit nos Estados Unidos, ganhando maior aceitação no mercado americano. Porém três anos e cinco álbuns depois, Peter tinha sido transformado em apenas o guitarrista, toda a criatividade musical estando efetivamente nas mãos de Mariott. Percebendo que suas composições melódicas estão servindo cada vez menos para a banda, Frampton prontamente deixa o grupo. Menos de dois meses depois, sai o lançamento do disco ao vivo "Performance - Rockin' The Filmore", que venderia horrores e transformaria o grupo em um mega sucesso.
Tarde demais para voltar atras, Peter se casa com sua namorada desde os tempos de escola, Mary Loveitt, e se muda para Nova York, onde trabalha como músico de estúdio para diversos artistas, entre eles George Harrison e Harry Nilsson. Seu contrato com a A&M Records continuava válido e a gravadora ainda tinha interesse nele, o que facilitou muito o lançamento em 1972 de seu primeiro disco solo "Wind of Change". O disco apresenta uma coleção de rocks e baladas que em reflexão, mostra um artista em busca de seu som. Peter volta a excursionar e viver na estrada, o que efetivamente se torna um peso em seu casamento. Sua banda, batizada Frampton's Camel, é também o nome de seu segundo disco, lançado em 1973. Membros incluem o ex-Spooky Tooth Mick Kellie na bateria, além de Mickey Gallagher e Rick Wills, tecladista e baixista respectivamente.
Peter acabaria se divorciando e pouco depois passa a testar um novo aparelho, o talk box, que lhe permite fazer sua guitarra falar ou se preferir, ele falar com som de guitarra. Deprimido com a esterilidade de sua carreira solo, ele desmonta Frampton's Camel e tira alguns dias de férias indo para as Bahamas, onde compra uma casa. Estando lá, com sua atual namorada Peggy McCall, em um mesmo dia, acaba por compor duas canções que iriam mudar sua carreira. De manhã ele compos a música para "Show Me The Way" e à tarde, enquanto assistia o sol se por, compôs letra e música de "Baby I Love Your Way".
Ao voltar das ferias, grava praticamente sozinho o álbum "Frampton", tocando órgão, baixo, guitarra, piano, teclados, talk box, e vocais. Seu velho parceiro do the Herd, Andy Bown se responsabiliza pela maior parte dos teclados e do baixo e John Siomos fica com a bateria e percussões. Frampton também assina a produção do disco. Seu empresário Dee Anthony, percebendo que a falta de hits em sua carreira poderia limitar as possibilidades do selo continuar com o artista, revive a mesma estratégia que executou com o Humble Pie em seu inicio; excursionar incansavelmente e depois gravar um disco ao vivo.
Embora não sendo um hit, o álbum "Frampton" chegaria em 1975 a disco de ouro, muito graças a disposição de Peter de levar o trabalho para uma longa temporada na estrada. Peter Frampton abre shows para toda banda possível e imaginável nos Estados Unidos, desde ZZ Top, Black Sabbath, Rod Stewart e J. Giels Band. Em San Francisco, resolvem gravar a apresentação que seria realizada em Winterland, famoso reduto roqueiro desde os tempos da psicodelia.
Depois de selecionado e mixado, uma audição para Jerry Moss, dono do selo, foi marcada para que ele possa ouvir e aprovar o material. Ao final, Moss pediu para ouvir mais e com isso o disco "Frampton Comes Alive" se tornou um album duplo. Ao ser lançado, se tornou a coqueluche do momento, vendendo a incrível soma de um milhão de cópias na primeira semana. Frampton, que estava ainda em meio a uma excursão, abrindo para outros artistas, passa, da noite para o dia, a ser atração principal. O álbum se tornaria o disco mais vendido na historia do rock até então. "Frampton Comes Alive" continua sendo até o presente, o disco ao vivo sem material inédito mais vendido na história, com cerca de 13 milhões de cópias vendidas, só nos Estados Unidos. Ao final de 1976, Peter Frampton terá levantado entre vendas de discos e ingressos para seus concertos, cerca de 70 milhões de dólares, se tornando o artista de maior sucesso do ano.
Não querendo nem podendo parar e prestar atenção para detalhes financeiros, Frampton autoriza seu empresário a contratar uma verdadeira equipe de conselheiros financeiros e contadores enquanto Peter, aproveitando ao máximo o sucesso, continua excursionando. Cansado e querendo férias, ele é forçado pela gravadora depois da excursão a entrar direto para o estúdio e gravar às pressas seu proximo disco. Em função do sucesso absurdo de "Frampton Comes Alive", a A&M já tinha contabilizado pedidos de três milhões de cópias para o próximo álbum. Assim, 1977 trouxe o LP "I’m In You", um disco razoável, e que vendeu bem, embora pouco em contraste com seu predecessor.
No mesmo ano, Peter é convidado a participar junto com os Bee Gees em um filme cuja historia seria baseado nas músicas dos Beatles, chamado Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. Frampton recusa a oferta até receber uma ligação de Robert Stigwood confirmando a participação de Paul McCartney no filme. Frampton, acreditando que a participação de Paul daria autenticidade à película, assina o contrato concordando em atuar. Somente durante as filmagens ele descobre que o mais perto que ele chegará a um Beatle, será Billy Preston.
Depois das filmagens, Peter resolve aproveitar o verão e descansar, indo para sua casa de praia em Nassau, nas Bahamas, onde encontraria com sua namorada Peggy McCall. Ele então descobre que enquanto ele estava trabalhando, ela, vivendo às suas custas, estava dando inúmeras festas, regadas a whiskey e cocaína, e morando com outro rapaz em sua casa. Peter, abalado emocionalmente, pega o seu carro e começa a correr pelas estradas estreitas da ilha. Pelo caminho, ele acerta um muro, cruza a pista e encontra uma arvore do outro lado.
Do hospital em Nassau ele foi transferido para um hospital em Nova York. Desacordado o tempo todo, Peter Frampton em estado grave, havia quebrado quase todas as costelas, as mãos e os pés; exibia uma fratura exposta no braço direito, com o osso perfurando a pele na altura perto do ombro; tinha um corte profundo que ia da testa do músico até quase o centro da cabeça, e perdeu alguns dentes da frente. Ainda se recuperando no hospital, o filme Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band é lançado e se torna criticamente aclamado como o pior filme de todos os tempos. As carreiras dos Bee Gees como também de Peter Frampton sofreriam imensamente com a publicidade ruim deste filme. Seu empresário tentou manter Frampton nos olhos do publico, tendo sua foto seguidamente aparecendo em artigos de revistas diversas porém a tática acabou não funcionando como planejado. O publico ficou cansado de vê-lo.
Depois que saiu do hospital, se recuperando em casa, na companhia dos pais, Frampton, agora estando com tempo de sobra, descobre que tem perto de $800 mil dólares a receber que nunca chegaram às suas mãos. Aos poucos, quanto mais ele vai escavando, mais vai descobrindo que apesar de ter contratado uma equipe para cuidar devidamente de suas finanças, ele fora traído. A revelação acabou com o ótimo relacionamento entre Peter e Dee Anthony. Peter contempla processar seu antigo empresário e amigo, mas desiste, em parte por reconhecimento de que dificilmente ele teria chegado ao sucesso sem sua ajuda. Peter também percebe que Anthony estava ainda mais quebrado do que ele. Anthony foi inteligente e correto em praticamente tudo relacionado à carreira do guitarrista, mas foi incompetente em assuntos financeiros.
Agora, cuidando pessoalmente de suas finanças, o dinheiro que Frampton conseguiu levantar, ele resolveu aplicar na bolsa de valores. Depois de passar um período deprimido, parte para tentar recuperar sua carreira em 1982 com o disco "The Art of Control". Aceitando o conselho da gravadora, grava um disco puxando para new wave, o que parecia ser o caminho da música moderna. O resultado final foi um disco ruim e despersonalizado que só ajuda a sepultar ainda mais o seu nome no mercado. Pouco depois a gravadora dispensa o artista.
Sem gravadora pela primeira vez em sua vida desde a década passada, Frampton aceita seu destino com relativa serenidade. Sai de cena, casando com sua nova namorada Barbara Goldburg, em '83, que logo daria a luz a sua primeira filha, Jade. O casal se muda para o campo relativamente perto de Los Angeles e vivem uma vida bem modesta. Com a chegada da criança, a vida noturna de Peter acaba e ele passa a viver uma vida mais diurna de acordo com os horários de sua filha.
Em 1986 Frampton consegue negociar um contrato com a Virgin Records, onde grava e lança o disco "Premonition". Monta uma banda e um show para ajudar a divulgar o disco, excursionando os Estados Unidos abrindo para Steve Nicks. No dia 19 de Outubro de 1987, a Bolsa de Valores tem queda recorde e o dia é lembrado como "Segunda-feira Negra". Peter Frampton perde tudo. Suas diversas residências, seus carros, até algumas peças de seu equipamento, incluindo algumas de suas guitarras, tiveram que ser vendidas. Peter passa então a buscar trabalho em Los Angeles como sessionman, trabalhando para outros artistas.
Certa noite David Bowie o procura para parabenizá-lo pelo seu disco. Na conversa com o velho amigo, Bowie pergunta a Frampton se ele pode reservar um tempo para gravar e fazer parte de sua banda. Frampton sabe o significado deste convite e tem seguidamente agradecido publicamente a David Bowie por esta tremenda e necessária oportunidade. Assim, em final de 1987, Bowie lança o disco Never Let Me Down com Frampton como seu guitarrista, passando o proximo ano participando do Glass Spider Tour. Frampton neste período está feliz, de volta a sua posição preferida, a de guitarrista principal, se apresentando novamente para um grande publico. E pela primeira vez em muito tempo, passa a ser reconhecido pela critica como um guitarrista talentoso.
Depois deste trabalho, em 1990, Frampton e Steve Marriot se juntam novamente e começam a trabalhar em um material que deixa os dois artistas bastante empolgados. Infelizmente antes das gravações serem encerradas, em Abril de 1991, Steve Marriot morre durante um incêndio em sua residência. O material continua inédito até o momento. Frampton novamente entra em uma fase de depressão que culmina com a separação e divorcio de Barbara, sua segunda mulher.
Em 1992, Frampton acaba por montar uma banda nova e leva o grupo para a estrada. Durante a excursão, reencontra com uma velha amiga, Tina Elfers, com quem cassaria em janeiro de 1996, e com quem teria outra filha, Mia. Lança esporadicamente alguns Lp's, entre eles o "Frampton Comes Alive II" que passou quase despercebido e agora o mais recente, "Live in Detroit" tirado do seu show ao vivo no Pine Knob Music Theatre em Detroit, 17 de Julho, 1999. A banda nova é na verdade um conglomerado de velhos amigos. Bob Mayo nos teclados, Chad Cromwell na bateria, e John Regan no baixo, todos tendo tocado com Frampton em algum ponto de sua já extensa carreira.
Com a virada do milênio, a fábrica de guitarras Gibson, lançou o modelo Frampton de guitarras, com ajuda e especificações vindas do próprio Peter Frampton. O modelo não foi ainda produzido em série e trata-se de um item para colecionador. Seu valor no mercado está no momento calculado em $6 mil dólares.
Peter é hoje pai de quatro crianças, e aparentemente aprendeu a dizer não quando precisa, colocando seus filhos em primeiro lugar na sua vida, antes mesmo de sua carreira. Continua gravando e ocasionalmente levando uma banda para a estrada, mas seu repertório está claramente mais para baladas do que um rock visceral. Mas ele será sempre lembrado como o primeiro guitarrista a vender mais de 13 milhões de cópias de seu álbum em um ano e, no processo, mudado a indústria fonográfica.

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Sexta-feira, Março 03, 2006

Um pouco do mestre Blues Boy King

B. B. King - Live in Japan
1. Every Day I Have The Blues
2. How Blue Can You Get?
3. Eyesight To The Blind
4. Niji Baby
5. You're Still My Woman
6. Chains And Things
7. Sweet Sixteen
8. Hummingbird
9. Darlin' You Know I Love You
10. Japanese Boogie
11. Jamming At Sankei Hall
12. The Thrill Is Gone
13. Hikari #88


O guitarrista de blues-rock que entraria para a história como B. B. King nasceu Riley B. King, em Itta Bena, vilarejo localizado às margens do delta do rio Mississipi. Nascido no berço do Blues não era de se estranhar que o jovem King se interessasse por música, carreira que era muito mais proveitosa à época do que colher algodão, única alternativa restante. Desde a infância se interessou por blues, country, gospel e jazz.
O responsável por introduzir King no mundo artístico foi seu primo Bukka White, guitarrista de blues profissional em Memphis em meados da década de 40. Em pouco tempo B. B. King se mudaria definitivamente para Memphis, passando a se apresentar nas rádios locais e conquistando uma boa audiência entre os ouvintes negros. Nessas apresentações em rádio (na realidade shows ao vivo transmitidos) ganhou o apelido de Beale Street Blues Boy, mais tarde abreviado para Blues Boy King e finalmente B. B. King.
Em 1949 gravou suas primeiras faixas em vinil. Durante o início dos anos 50 foi produzido por ninguém menos que Sam Philips, até então um produtor medíocre. Em 1951 conseguiu pela primeira vez sucesso nacional nas paradas de r&b com a música Three O'Clock Blues. Aproveitando a boa repercussão montou a banda Beale Streeters (com o vocalista Bobby Bland, o pianista Johnny Ace e o baterista Earl Forest).
Conta a lenda que nesta turnê a sua lendária guitarra Lucille foi batizada. Após arriscar a vida para salvar a guitarra de um incêndio em um bar em Arkansas, King chegou à conclusão que algo tão importante para ele não podia ficar sem um nome. Ao contrário do que se pensa, porém, Lucille não é apenas uma guitarra, mas várias, que ele trata como uma só.
Durante as últimas décadas o estilo de King praticamente não mudou. Foi um dos poucos artistas de blues (senão o único) a conseguir manter-se em evidência durante tantos anos sem tornar seu som comercial. Continua tocando para platéias pequenas, com a mesma paixão de sempre, simpático com os fãs e respeitado por qualquer guitarrista de blues ou rock que se preze.
No início da década de 90 gravou dezenas de músicas em parcerias com músicos (principalmente guitarristas) de sua época ou influenciados por ele. Entre outros U2 (com a impagável When Love Comes to Town), Gary Moore, Vernon Reid, John Lee Hooker. O resultado foi o excelente disco "Lucille & Friends".

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Atendendo a (muitos) pedidos

The Doors - Strange Days














Quando postei esse álbum a primeira vez, ele veio protegido com senha... e como o site em que eu o peguei saiu do ar, não havia como eu pegar a senha. Agora posto ele novamente com o link para um arquivo sem senha. Abraços, Stormbringer.

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