Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

Flauta mágica

Jethro Tull - Tales From The Crystal Flute

01. Strange Avenues
02. Steel Monkey
03. Big Riff & Mando
04. Thick As A Brick
05. Rock Island
06. Requiem
07. Cheap Day Return
08. Mother Goose
09. Jack-A-Lynn
10. Another Christmas Song
11. My God
12. Bouree
13. The Whaler's Dues
14. Budapest
15. Farm On The Freeway
16. Kissing Willie
17. Nothing Is Easy
18. Aqualung

Foi um fenômeno único na história da música popular, dentro da corrente conhecida como rock progressivo. A banda britânica Jethro Tull, com sua mistura de hard rock, folk, toques de blues e jazz, e letras profundas (meio surrealistas, mas densas) desafiou qualquer tipo de análise superficial, e conseguiu uma legião de fãs que lhe deram 11 discos de ouro e 5 de platina. Ao mesmo tempo que sua popularidade crescia nos anos 70, conseguia o reconhecimento da crítica.
O Tull foi criado e liderado pelo genial guitarrista flautista vocalista compositor Ian Anderson (nascido em 1947 na Escócia), e teve vários nomes (Blades, John Evan Band, Navy Blue, etc.) antes de chegar ao nome de um fazendeiro (Jethro Tull) que inventou uma técnica agrícola nova no século XVIII. O nome "pegou" e o grupo conseguiu chegar a tocar no Marqueé londrino, ficando bastante popular por lá.
O primeiro álbum, This Was (1968), tinha na formação Ian Anderson, Mick Abrahams na guitarra, Clive Bunker na bateria e Glen Cornick no baixo. Abrahams também participou da composição desse disco, mas Anderson já era o membro dominante do grupo, e semanas depois do lançamento Mick saiu, tendo dois substitutos logo depois, um deles sendo Tony Iommi, que depois faria sucesso no Black Sabbath. Iommi ficou uma semana no Jethro Tull, chegando a aparecer no show "Rock ‘n Roll Circus" dos Rolling Stones, tocando "A Song for Jeffrey" com o Tull. O outro foi Davy O’List. Depois desse, veio finalmente Martin Barre, que é até hoje o guitarrista líder.
Seguiram-se os álbuns Stand Up (1969) e Benefit (1970), que proporcionaram aumento da popularidade do Tull. Stand Up marca a primeira participação do maestro David Palmer em um disco do Jethro Tull, proporcionando arranjos orquestrados. Palmer iria aparecer em todos os álbuns seguintes, até juntar-se oficialmente à banda em 1977. Em 1971, sendo a formação Ian Anderson, Martin Barre, Clive Bunker, John Evans nos teclados e Jeffrey Hammond-Hammond no baixo, foi lançada a obra-prima do Tull: Aqualung.
Desde o segundo álbum as letras de Ian Anderson vinham ficando mais sérias, mas em Aqualung suas letras chegaram ao ponto que ele queria. O álbum trata da distinção entre Deus e a religião, a relação do homem com Deus, e como a religião interfere nessa relação. Musicalmente eles se distanciaram do blues de suas origens e fizeram um som mais próximo ao hard rock e heavy metal (com magníficos riffs de Barre) mas recheado de influências folk. O grande público se identificou com o tema da alienação que permeia esse trabalho conceitual. Aqualung foi um dos maiores sucessos do rock "cerebral", tendo várias faixas (Hymn 43, My God, Cross-eyed Mary, Locomotive Breath, Wind-up e a faixa título) tocando constantemente no rádio.
Depois do lançamento do álbum e da turnê, Bunker saiu e foi substituído por Barriemore Barlow, e essa formação durou por um bom tempo. Em 1972, saiu Thick as a Brick, considerado por muitos o melhor disco do Tull. A banda entrou de cabeça no rock progressivo dos anos 70, sendo Thick as a Brick uma obra complexamente estruturada, consistindo de uma única música (dividida em duas partes) que seria o poema de garoto-prodígio de oito anos sobre a sociedade, com várias imagens surrealistas e comentários ferinos. Foi o primeiro #1 do Tull nos Estados Unidos.
A aceitação entre o público e a crítica continuou grande ao longo da grande carreira do Jethto Tull, que com o seu estilo extremamente peculiar (caracterizado pela flauta de Ian Anderson) tem uma legião de fãs cativos. O melhor período do grupo foi a década de 70, com excelentes álbuns (como Songs From the Wood e A Passion Play), mas o grupo manteve a sua consistência criativa durante os anos 80 e 90, sempre liderado por Ian Anderson, que além de gênio visionário e compositor de tarimba, é também milionário - o maior exportador de salmão da Europa!

Download

Creedence Platinado

Creedence Clearwater Revival - Platinum

Disc: 1

01. Green River
02. Fortunate Son
03. Up Around the Bend
04. Bad Moon Rising
05. Porterville
06. Penthouse Pauper
07. Someday Never Comes
08. Long As I Can See the Light
09. Hey Tonight
10. Ramble Tamble
11. I Put a Spell On You
12. It Came Out of the Sky
13. Who'll Stop the Rain
14. Wrote a Song for Everyone
15. I Heard It Through the Grapevine
16. Feelin' Blue
17. Don't Look Now
18. Molina
19. Sweet Hitch-Hiker
20. Proud Mary

Disc: 2
01. Run Through the Jungle
02. Commotion
03. Travelin' Band
04. Walk On the Water
05. Pagan Baby
06. Good Golly Miss Molly
07. Have You Ever Seen the Rain?
08. Susie Q
09. Lodi
10. Down on the Corner
11. (Wish I Could) Hideaway
12. Born On the Bayou
13. Before You Accuse Me
14. Cross-Tie Walker
15. Cotton Fields
16. Lookin' for a Reason
17. Working Man
18. Lookin' Out My Back Door
19. Midnight Special
20. Night Time Is the Right Time


O embrião da banda Creedence Clearwater Revival foi fundado em 1959, chamava-se Blue Velvets e era formada pelos irmãos John Fogerty (vocalista e guitarrista), e Tom Fogerty (guitarrista), Stuart Cook (baixo) e Douglas Clifford (bateria). Em 1966 conseguiram seu primeiro contrato com uma gravadora, a Fantasy, e com o nome de The Golliwogs gravaram dois singles. Embora não tivessem grandes pretensões o single foi bem aceito. Em 1967 mudaram o nome da banda para Creedence Clearwater Revival e a boa aceitação dos primeiros singles levou-os a deixar de ser apenas uma banda de covers dos anos 50 para se arriscar em suas próprias composições.
Em 1968 lançaram o seu primeiro álbum, auto-intitulado. Em meio ainda ao fenômeno das bandas inglesas o Creedence foi uma das primeiras bandas americanas a se firmar no topo das paradas (entre outros com os singles "Susie Q" e "I Put a Spell on You").
Em 1971, após mais três álbuns de sucesso, o Creedence Clearwater Revival se tornou a primeira banda a superar os Beatles como grupo de rock mais popular. Seu maior hit de todos os tempos, "Have You Ever Seen The Rain", do álbum Pendulum, trata-se de uma das músicas mais coverizadas até hoje. Suas músicas de pouco mais de três minutos, com refrões fáceis e cativantes pavimentaram caminho para as bandas de Hard Rock que se seguiriam.
Contrastando com o sucesso crescente surgiu a notícia de que Tom Fogerty havia abandonado a banda para seguir carreira solo. O Creedence (como um trio) ainda lançou um álbum decepcionante, "Mardi Gras", antes de ser declarada extinta em 1972. Desde então reuniram-se eventualmente para aparições em festivais diversos. Stu Cook e Doug Clifford chegaram a montar uma banda chamada Creedence Clearwater Revisited e se apresentaram tocando músicas de seu grupo antigo.
Todos os membros da banda participaram das gravações do álbum solo de Tom Fogerty lançado em 1974, "Zephyr National". Tom Fogerty morreu em 1990 vítima de problemas respiratórios.

Download: Parte 1 :: Parte 2 :: Senha:
jbird

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

Drenando o Cérebro

Ramones - Brain Drain
1. I Believe In Miracles
2. Zero Zero UFO
3. Don't Bust My Chops
4. Punishment Fits The Crime
5. All Screwed Up
6. Palisades Park
7. Pet Sematary
8. Learn To Listen
9. Can't Get You Outta My Mind
10. Ignorance Is Bliss
11. Come Back, Baby
12. Merry Christmas (i Don't Want To Fight Tonight)

"Quatro garotos, ex-delinqüentes juvenis de Queens, New York, uniformizados com calças jeans rasgadas e jaquetas de couro, tocando músicas de dois ou três minutos, falando sobre danos cerebrais e insanidade, como se a sua vida dependesse disto. Garantia de excelente diversão". (Revista Rolling Stones, 1983)
Engana-se quem pensa que o Punk Rock e o visual marcado por jeans rasgados foi criado pela banda inglesa Sex Pistols. Já em 1974, muito antes de Malcom McLarem ter a idéia de formar os Sex Pistols, uma banda de adolescentes tocava no famoso clube CBGB (Country Bluegrass and Blues) de Manhatan, entre outras músicas, uma chamada "Judy Is a Punk". A banda definiria nestes primeiros shows a atitude musical e visual que viria a ser conhecida como Punk Rock.
Numa época em que o rock and roll institivo divertido e curto dos primeiros tempos havia sido substituído por músicos de técnica apurada, solos imensos, letras profundas e discos duplos, os Ramones foram alguns dos principais responsáveis por freiar os exageros do rock progressivo que se tornava cada vez mais chato. Afinal de contas, sendo encarado como arte, o rock havia perdido toda a sua expontaneidade e energia.
Fãs de bandas descartáveis como os Beatles (primeira fase) e Beach Boys, três garotos de New York resolveram nadar contra a correnteza e fazer música simples, rápida e acima de tudo divertida. Seus nomes eram Jeffrey Hyman (bateria), John Cummings (guitarra) e Douglas Colvin (baixo e vocal). Resolveram assumir os nomes artísticos de Joey Ramone, Johnny Ramone e Dee Dee Ramone. Conta a lenda que o sobrenome foi tomado emprestado do Beatle Paul McCartney, que costumava viajar disfarçado e se hospedava em hoteis com o nome falso de Phill Ramone. Após algumas apresentações se uniu à banda o baterista Tommy Ramone (Tony Erdely), ficando Joey Ramone nos vocais, Johnny na guitarra, e Dee Dee no baixo. Com esta formação conseguiram heroicamente, sem saber tocar pouco mais do que três acordes, um contrato com uma gravadora.
Sai assim, em 1976, o primeiro disco, auto intitulado. Se faltava à banda técnica, sobrava energia. O disco foi muito bem aceito e se tornou um dos mais influentes da história do rock. Afinal, se os Ramones haviam conseguido chegar a um disco sem saber tocar, nada impedia que outras bandas tentassem. O disco Ramones desencadeou um pouco mais tarde na Inglaterra o movimento punk que viria a ficar conhecido mundialmente com bandas como Sex Pistols, The Clash, Damned, etc. Embora os Ramones não tenham tido a princípio o mesmo reconhecimento das bandas inglesas, foram eles, sem sombra de dúvida, os pioneiros do do-it-yourself. Finalmente um disco de mais de 12 músicas e menos de 30 minutos voltava às paradas.
Durante a carreira obviamente houveram muitas mudanças de formação. Em 1977 Tommy deixou a banda e foi substituído por Marky Ramone (Marc Bell). Marky por sua vez viria a ser substituído por algum tempo por Richie Ramone (Richard Beau), voltando depois à banda. A perda mais sentida pelos fãs, porém, foi a saída do fundador Dee Dee Ramone, por diferenças musicais. Dee Dee se tornou um músico de rap e foi substituído por CJ Ramone (Christopher Ward).
No ano de 1979, um produtor de filmes "B", Roger Corman, convida a banda para estrelar uma de suas últimas produções, chamada de Rock'n'Roll HighSchool. A trama se desenvolve baseada nos próprios músicos e numa fã que queria entregar suas composições para serem tocadas pelos Ramones. É deles também boa parte da trilha sonora.
Sem dúvidas nenhuma, o maior público num show da banda foi em 1981, o US Festival, na Califórnia, com cerca de 500 mil pessoas assistindo aos já não tão garotos de Nova York.
Em 1991 foi lançado o tributo à banda, chamado de Gabba Gabba Hey!, que conta com a participação de D.I., Buglamp, Chemical People, Bad Religion, Groovie Ghoulies, entre muitos outros.
Após vinte anos de carreira e 15 discos de estúdio, o Ramones é uma das poucas bandas que pode ser elogiada (ou criticada) por praticamente não ter mudado seu estilo. Incrivelmente, apenas na década de 90 vieram a ser conhecidos do grande público e seus discos passaram a vender mais do que na época de seu lançamento.
Em 1995 a banda decidiu encerrar suas atividades, pegando de surpresa a legião de fãs, afinal estavam no auge de sua carreira, nunca havia feito tanto sucesso e seus dois últimos álbuns, Mondo Bizarro e Acid Eaters, eram considerados dos melhores de sua longa carreira. Em meio a boatos de brigas e desentendimentos gravam seu canto-dos-cisnes adequadamente intitulado Adios Amigos. O fim? Pouco provável.
1996 foi o derradeiro ano. Foi lançada uma coletânea ao vivo intitulada de The Greatest Hits, com duas faixas em estúdio, a R.A.M.O.N.E.S, do Motörhead e uma versão para SpiderMan, que entrou numa coletânea de temas de desenhos animados. Esta música inclusive está presente em uma tiragem da versão americana do Cd Adios Amigos. O grupo também foi a atração principal do festival itinerante Lollapalooza, que acontecia anualmente nos EUA.
Porém, os rumores foram se concretizando. A banda faz seu último show em 6 de Agosto desse mesmo ano, o 2263º de sua carreira. Um show que contou com participações mais do que especiais. Dee Dee Ramones, Lemmy, os músicos do Rancid e do SoundGarden, Eddie Vedder, entre outros cantaram e tocaram músicas com os mestres, numa apresentação que está imortalizada no disco ao vivo We're Outta Here!.
CJ Ramone continua se apresentando na sua banda Los Gusanos enquanto Marky toca em seu projeto solo Marky Ramone and The Intruders. De Johnny, que largou por definitivo a música (alguns até o acusam por ter causado o fim da banda), está vivendo com os louros de seu trabalho. Já a notícia mais triste fica por conta de Joey: está com leucemia, o que deixou sua já debilitada saúde num estado bem delicado.
Em 1999, o grupo fez uma apresentação beneficente em Nova York para juntar fundos para uma casa que cuida de crianças com leucemia. A grande esperança dos fãs veio através das palavras do guitarrista Johnny: "Se Joey se recuperar da sua doença, faremos uma turnê mundial". Esperanças que infelizmente não se concretizaram. Joey faleceu em abril de 2001, aos 49 anos.
Em 2002, pouco após a banda Ramone ser admitida no Rock And Roll Hall Of Fame, um reconhecimento tardio à sua importância, Dee Dee Ramone, baixista original da banda, morreu aos 50 anos de idade em sua casa, em Hollywood. Dee Dee foi encontrado pela esposa, sem dar sinais de vida. O serviço de emergência do corpo de bombeiros de Los Angeles, chamado imediatamente para o local, confirmou o óbito. A causa da morte foi uma overdose. Seringas e equipamentos usados para consumo de drogas injetáveis foram encontrados no apartamento. No passado, por várias vezes Dee Dee havia tido problemas com vício em heroína.
Em 2004 foi a vez de Johnny Ramone, morto aos 55 anos em New York, após lutar durante cinco anos contra um câncer de próstata. Marky Ramone se tornou então o último remanescente da formação mais clássica da banda.

Download - Senha: www.mp3degraca.rd5.net